quarta-feira, 27 de agosto de 2008

.Somos tentados a rir antes de discutir.

A arrogância da grande burguesia num encontro justamente chamado ‘Decola Brasil’, para apoiar a candidatura de Fernando Henrique Cardoso, mostrou-se por inteiro: ali encontraram “fichas” de inscrições no PT em que candidatos a entrarem neste partido assim se qualificavam: gay, negro, nordestino, travesti, analfabeto, drogado, catador de lixo, etc.

Escancaradamente, a ficha ideológica que resulta dessas “qualidades” não é a dos que simuladamente entravam no PT, mas a própria burguesia brasileira: seu atraso cultural, seu preconceito, seu ódio ao povo.

Oliveira, Francisco., Pós-liberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. RJ: Paz e Terra; 1995.

10 comentários:

Lg. disse...

Um pouco mais adiante no texto uma outra idéia se configura, por ser muito relevante colocá-la-ei aqui: "Para explicar a dessolidarização dos intelectuais com as causas populares não se necessita mais que o materialismo vulgar: eles têm quatro carros na garagem" (p.28)

Lg. disse...

O que podemos acrescer aqui é: até que ponto a capacidade de tolerância da população permitirá a degradação das suas condições de vida?

Lg. disse...

Faço concordar com a idéia de que boa parte dos intelectuais está aproveitando da conjuntura para “tirar da testa o estigma de esquerda e do progressismo”. Isso me parece absolutamente verdadeiro; entre nós, mais do que nunca, a traição dos intelectuais é constante.
A todo instante, vemos figuras desdizendo hoje o que afirmavam ontem, e certamente as veremos desdizer amanhã as suas verdade de agora. O que me assombra, porém, não é esse insuspeitado camaleonismo; o que me assombra é o fato de não constatar, entre os intelectuais, nenhum sentimento de indignação ou repulsa diante desse enorme processo de submissão.

Wilson Guerra disse...

É camarada. Isso me remete a acepção sartreana de intelectual. Esses, com os caracteres e comportamentes pormenorizadamente descritos por você, constiuem na verdade apenas os "reprodutores do saber técnico".
Eu já fiquei muito surpreso (tristemente surpreso) ao fazer as constatações que você fez - o vira-casaquismo, a notória insensibilidade ao caos social que desemboca em desumanidade explícita - mas então me "liguei" que a revolução não virá desses putrefos. Os que desenbarcarem na trincheira do proletariado são meras (e belas) exceções, que Marx e Engels citam no fim do 1o capítulo do Manifesto sob a legenda genérica de ideólogos, que de alguma forma compreenderam o processo histórico e se engajaram na luta pela superação disso que chamamos de estágio predatório do desenvolvimento humano.
Ou seja, fodam-se os intelectualóides hauaahauahahhaa.

Lg. disse...

Wilson Guerra é nome de luta ou veio a calhar? rsss
Brincadeira amigo! Quanto ao que você disse eu concordo plenamente e ainda arrisco dizer que esses intelectualóides abordados por você não conseguem passar das teorias e indagações frouxas, legitimando a apatia frente a sociedade que clama por novas medidas.

Ronaldo Santos disse...

Estou com vocês nessa. Concordo com as abordagens e gostaria de acrescentar o caráter reformista do sistema que não podemos deixar de lado. Li esse texto a poucos dias e é impressionante como falam de política do não emprego, privatizações, maior estímulo a desigualdade, pois só assim poderá emergir uma competição “sadia”, entre outras questões sociais que muito me ferem. É importante essa problematização colocada pela nossa amiga e releva-se muito o comentário do Wilson. Gostaria de contribuir mais, entretanto, fico com receio frente a experiência carregada em cada frase de vocês.

Lg. disse...

Desculpe Ronaldo mas terei que te corrigir, você faz considerações tão importantes quanto a nossa, já que aponta novas abordagens, seria perda minha e meu “receio” se não o convidasse para comparecer sempre que alguma discussão for-lhe interessante. Quanto ao que você disse afirmo que também penso como você, terem abolido com a ascensão do Neoliberalismo até o Estado de Bem-estar social fere qualquer um que entenda do que se trata, já é de nosso domínio que essa assessoria estatal advinda do Keynesianismo foi uma reforma criada para competir com o chamado “socialismo real” da nova Rússia antiga URSS, já que pretendiam – a Dama de ferro e Reagan (servidos de alguns outros) abafar as políticas do pleno emprego e forte ajuda do Estado para o social. Não demorou muito para a “Dama de ferro” a baronesa Thatcher ser chamada de “Megera de ferro” e na verdade acho que cabe a ela coisas que vão além disso. Frente seu escrito, o do Wilson e os que fiz agora poderíamos todos nos indagar de novo “até que ponto a capacidade de tolerância da população permitirá a degradação das suas condições de vida?”

Cintia disse...

Até o Wilson por aqui. Fiquei tantada ao convite da Lu para comentar...

Adoraria eu poder responder a sua indagação e creio que qualquer outro cientista social (ou futuro) também (tirando os intelectualóides citados por você).

A apatia é estratégia. Podemos obervar a apatia não apenas no nosso país, mas em qualquer outro que tenha um sistema economico que por mais que tenha suas particularidades, tem como sua base a propriedade privada (e que sabemos bem que não é a única coisa que legitima a "coisa"). E acredito que não precisarei exemplificar aqui o venha a ser "propriedade privada". NÂO SENHORES, não é a CASA de vocês. Acreditem.

Ironias a parte,dizem alguns que não podemos tratar essa "dessolidarização" com críticas morais. As criticas morais eles recebem todas, mas a cara de pau é tanta que a tal "moralidade" fica do lado de fora a questão, pois estamos tratando de "ciência", técnica, etc. É fácil perceber o jogo de interesses e a o "background" do teatro fa vida.

O que obviamente não concordo. Acredito que temos SIM que atacar esse desvio de carácter vergonhoso. Desmascarar essa pseudoNADA. Apontar o dedo e mostrar o que essa gente realmente está falando. Sem medo de ser feliz.

Sem mais delongas, desculpe o texto "direto" demais.

Wilson Guerra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Wilson Guerra disse...

Não é nome de guerra. Não nesse horário hahauaahauahauahahahah.
E o quê a LG faz, além de produtos eletrônicos? Ãn an an? Tendeu tendeu?...

Cintia? Só não digo que o mundo é pequeno porque na verdade nós é que estamos em extinção. E tbém, não seria muito criativo.

Esses dias comentávamos, eu e amigos, justamente esse “até que ponto a capacidade de tolerância da população permitirá a degradação das suas condições de vida?”. Concluímos que não temos a resposta hahahahaha... droga! Mas penso que a ostensiva e incessante enrolação ideológica (que vai desde as idéias de "empreendedorismo", "esforço para o alcance do sucesso" e a passividade da religião - oficial ou não - é o grande obstáculo para levar a população como um todo a abraçar um projeto civilizatório superior. Dentro da academia isso se reflete de outras formas também, como os relativismos típicos da agenda pós-moderna (o "pseudoNADA" da Cintia foi ótimo hehehe). De qualquer forma, quando a realidade se impõe, e os argumentos da ideologia dominante balançam. Talvez seja nesse momento que os comunistas devem partir para a ofensiva e declarar abertamente o tipo de projeto civilizatório que desejam implementar. Ou seja, deveríamos era sermos mais tagaleras. hehehe