quinta-feira, 21 de maio de 2009

.Que me conste.

Eu via tudo o que passava diante de mim, - flagelos e delícias, - desde essa cousa que se chama glória até essa outra que se chama miséria, e via o amor multiplicando a miséria, e via a miséria agravando a debilidade. Aí vinham a cobiça que devora, a cólera que inflama, a inveja que baba, e a enxada e a pena, úmidas de suor, e a ambição, a fome, a vaidade, a melancolia, a riqueza, o amor, e todos agitavam o homem, como um chocalho, até destruí-lo, como um farrapo.


Joaquim Maria

4 comentários:

Anônimo disse...

O que passou na sua cabeça durante uns vinte ou trinta minutos?

V disse...

"Eram as formas várias de um mal que ora mordia a víscera, ora mordia o pensamento, e passeava eternamente as suas vestes de arlequim, em derredor da espécie humana."
Incrível como temos coisas em comum. Esse trecho do Machado é um dos meus preferidos, realmente, muita coincidência.
Vc disse que estava sentindo falta de meus comentários, e agora foi inevitável.
Nós, seres humanos, temos o costume de idealizar as coisas. Vc tá perto do meu ideal de perfeição!
Combina com um poema meu. Vou ver se encontro!

Paulo disse...

Você está lendo esse livro de novo?
Vou tirá-lo de você!

Anônimo disse...

"O que o ser humano mais aspira é tornar-se um ser humano"