terça-feira, 3 de julho de 2012

.Meus sonhos foram todos delirantes.


Senta aqui Alfred! Olha, se os sonhos não fossem secretos hoje estaria presa, acorrentada nos porões da razão e torturada pela realidade. Quem diria. Deveria contá-los, todos, tudo, aqueles personagens-drama, aquelas mulheres-lisas, aquilo de liquidez? Ah! Alfred, tudo tende a se complicar, porque não vira todos de todo mundo? Igual aquele programa que vimos, todos felizes, emprestando suas mulheres, trocando os maridos. Que coisa estranha, não? Não era isso que se passava no sonho, era coisa mais grudada, íntima de dois. Tinha até uma piscina, era muita liquidez. O que será o contrário do amor? Deve ser isso ai, piscina. Pessoas sedentas se contorcendo. Esse também não era o sonho, só tinha uma pessoa e uma piscina. Não tinha contorcionistas. Era calmo, mas não era simples. Acho que também não era calmo. Alfred, suspende o garoto que limpa a piscina todas as terças. Não gosto de piscina. Uma frescura essa que desenvolvo de não gostar das coisas. Aos 50 estarei sozinha e com você, se a inflação não te levar daqui. E não me olhe com essa cara que entendeu o sonho, não era para entender nada. Era só para dizer que tive um sonho, coisa de fantasma e de piscina. Fantasma veio agora na cabeça. Como sonho. Sonhos e lugares que desaparecem. Isso é um texto dentro do sonho, ou um sonho dentro do texto? Ah, que difícil. Só sei que não é um sonho de texto, mas é um texto sobre o bendito. Bendito e Fantasma são dicotomias novas. Vai falar delas? Não, cansei por hoje, vou dormir e tentar encontrar a piscina. Me traga um chá relaxante.  
LG

2 comentários:

Glaucio disse...

Quilates de poesias
todas SobSuspeitas!
De tempos em tempos
eu garimpo aqui páginas contínuas
E vou lapidando as peças do quebra-cabeça
Um dia consigo montar O Que É Você, Luana Garcia.

:)

Danielly Mezzari disse...

Entender às vezes atrapalha.
A gente se perde nos sonhos que se perdem na gente...