quinta-feira, 24 de maio de 2007


"E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos."

Fragmento do poema escolhido como o melhor poema brasileiro de todos os tempos por um grupo significativo de escritores e críticos, a pedido do caderno “MAIS” (edição de 02-01-2000), publicado aos domingos pelo jornal “Folha de São Paulo”. Publicado originalmente no livro “Claro Enigma”, o texto acima foi extraído do livro “Nova Reunião”, José Olympio Editora – Rio de Janeiro, 1985, pág. 300.


3 comentários:

Marcus disse...

Esse poema realmente é lindo, você fica lendo o dia todo? Como funciona?

Anônimo disse...

kkkkkkkkkkkkk

esse fica lendo o dia todo foi boa ....


realmente o poema é muito bom, não posso discordar ... tem um site que depois eu preciso te passar, de criticos literarios ... me lembra ....

drica
bjos pequena

Agente Social 20 disse...

Luana é fabulista?
fabulosa?
fábula?
Semblante lépido, sorriso falante. . . que reverbera, e revela os desígnios invisíveis da consciência reflexiva que encanta, mesmo que à distância,
no vazio contemplativo do sujeito observador que conjectura sobre o objeto. . . Ah!!!! esses passos vagarosos de costume, não aquele vagar arrastado dos preguiçosos, mas um vagar calculado e deduzido,um silogismo completo, a premissa antes da consequência, a consequência antes da conclusão!(À maneira de Machado . . .)