quinta-feira, 3 de maio de 2012

.Passando de um espaço aberto, para um fechado. Ou seu avesso.


Tudo se esfuma. Mais um pouco e você fica cego. Está na cabeça. Ela não funciona mais, ela diz.

Eu não funciono mais. Você fica mudo também e os ruídos enfraquecem. Mal se atravessa o limiar é assim. É a cabeça que deve estar cheia. De modo que você diz a si mesmo: chegarei bem desta vez, depois mais uma, depois será tudo. É difícil formular este pensamento, pois é um pensamento, num certo sentido.
Samuel BeckeTT

.Maravilhoso Sórdido.




E se tiver um dia de procurar um sentido para a minha vida, nunca se sabe, é desse lado que vou arriscar primeiro, do lado dessa pobre puta desviada e de mim mesmo último da minha raça infame. Será essa a minha viagem. 

Samuel Beckett

.Cada palabra es como una innecesaria mancha en el silencio.

terça-feira, 17 de abril de 2012

.Quando o seu bem-querer pedir pra você ficar um pouco mais...


Há que me afagar com a calma
A calma, a calma, a calma dos casais
E quando o meu bem-querer ouvir
O meu coração bater demais
Há de me rasgar com a fúria
A fúria, a fúria, a fúria dos animais

.Talvez ficássemos ali, estanques, na primeira grande crise. MASNÃO!

sem raiva nem rancor
o tempo riscou meu rosto
com calma

terça-feira, 3 de abril de 2012

.Acho que a vida anda passando a mão em mim.


Sou o cheiro dos livros desesperados. Você não me pega, você nem chega a me ver. Meu som te cega, careta, quem é você?

.Você vai me cegar e eu vou consentir.



Esse cansaço sono. 
Essa repetição morte. 
Essas mulheres mímicas.
Esses gestos contidos. 
Essa boa-educação. 
Esse desejo reprimido.
Esse sonho vazio. 
Essas falas sem gosto.

domingo, 1 de abril de 2012

.Não se trata de um fluxo de consciência usual.

Havia em suma três, não, quatro Molloys. O das minhas entranhas, a caricatura que eu fazia desse, o de Gaber e o que, em carne e osso, em algum lugar esperava por mim. Havia outros evidentemente. Mas fiquemos por aqui, se não se importam, no nosso circulozinho de iniciados.
Samuel Beckett (Molloy)

.É no verdadeiro amor que se come o outro.


Aí diz o meu coração: que prazer tem bater, se ela não vai ouvir?
Aí minha boca me diz: que prazer tem sorrir, se ela não me sorri também?

João Bosco

sexta-feira, 30 de março de 2012

.A estante.

Naquele novo apartamento da rua Visconde de Pirajá pela primeira vez teria um escritório para trabalhar. Não era um cômodo muito grande mas dava para armar ali a minha tenda de reflexões e leitura: uma escrivaninha, um sofá e os livros. Na parede da esquerda ficaria a grande e sonhada estante que caberia todos os meus livros. Tratei de encomendá-la a seu Joaquim, um marceneiro que tinha oficina na rua Garcia D'Avila com Barão da Torre.

Ferreira Gullar