quarta-feira, 26 de outubro de 2011

.Vivia de si mesma como se comesse as próprias entranhas.



Na verdade, não era o assobio em si, como Laila percebeu um pouco mais tarde, mas os segundos que transcorriam entre o momento em que ele começava e a explosão.

Aquele tempo breve e interminável em que a gente sempre fica em suspense. A sensação de não saber. A espera. Como um acusado prestes a ouvir o veredicto.

.Onde a alma se lava aonde o corpo me leva.

Em consideração a mim, cobri-me de recuos.

Eu, que de docilidade me fizera.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

.Eu te perturbo, você me perturba, ela te perturba, nós, vós, eles se perturbam e vão todos às favas.

Por que mantemos aquelas amizades que sempre nos surpreendem com perguntas de respostas quilométricas? Pior. Por que fazemos isso se ainda não temos o prazer de responder as tais perguntas no bar, na rua, no restaurante, e somos obrigados a digitar textos imensos ou plugar o microfone? Eu não sei, mas deve ser porque aderi à nova campanha: humanize-se, criada por um desses “amigos” que fazem as perguntas. Esperto, Esperta. Bom, se manter no masculino terei problemas com as feministas. Esperta então. Falamos dos meios acadêmicos, não dos fundilhos dos doutores, nada-disso. Falamos do que ocorre depois que o conhecimento passa ser um artefato de luxo, uma mercadoria, um poder de troca, uma barganha cara, um legítimo desumanizar-se. Falamos da dificuldade de se relacionar, da intolerância, do eu, do self, da cruel mentalidade “quanto mais idade e mais instrumentais teóricos, mais solidão”. Concluímos que não é determinado, não é linear e não é regra. Ai respiramos, tendo a chance nesse momento de lançar a campanha: humanize-se. GRAVE. Não grave de difícil, grave de decorar! Recebi críticas sobre meu posicionamento, mas isso já é de costume. Tratei de ir logo mandando às favas, sem saber o que significava, entretanto, tinha o domínio de que sempre a expressão viera carregada de caretas ou uma entonação carregada. Qual o sentido? Argumentei que se ainda fosse aos favos, as abelhas e as ferroadas (qual o coletivo de abelha?). Informe-se http://www.marioprataonline.com.br/obra/literatura/adulto/benedito/verbetes/mandar_as_favas_.htm Fui passar um café, amanhã têm dia cheio, nada melhor do que prolongar a noite. Vive de noite e cumpre a vida de dia, não se vive mais de dia. De dia se esgota! Gosto do seu corpo, já disse? Prefiro ele atrelado a mente e as suas ideias. Das questões que reclamo: gosto também, me sirvo delas nas madrugadas e seria absurdamente menos sem as reflexões que elas me provocam. As leituras de domingo à tarde quase sempre são conturbadas, espero um escrito seu. “Veja meu bem que hoje é domingo...” e se for mentira, não tem missa? Se não tem missa e não tem o sagrado, tem seu corpo, tem carne? Eu voto que sim.

LG

.Fique em silêncio, é noite e AlterEgo quer falar.

Eu gosto tanto das suas minúcias que me furto as confissões arrastadas.
LG

Isso porque pensei que precisava escrever essa coisa que chamam de obra autêntica nos meios acadêmicos, essa de maior importância, dizem que é algo feito exclusivamente por você, uma ideia que nasce de você, você é a autoridade. qual o que? um dos textos mais difíceis, dizem nos meios, que nem sei porque estou neles. depois pensei em você como se hoje fosse domingo. o que gostaria de ler em uma tarde de domingo? isso porque pensei em fragmentos. calculam que oitenta por cento dos textos aqui presentes sejam sobre fragmentos. estimam também que cerca de noventa por cento sejam em formato prosa. outros ainda aproximam a média de sessenta por cento para as performances. inteiro. poesia. não acredito em plenitude, entende agora? muito menos em poesia. e acaso estejas a falar de sentidos performáticos. que seja! estou pensando em você, o que gostaria de ler numa tarde de domingo? não tenho mais ideias. e lá se vai o quinto café. ainda bem que hoje é terça.

AlterEgo

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

.Saudade dos meus mínimos.




Torci-me inteiro, aspirei meus avessos, queria tanto conhecer e agora não só me esqueci do que queria conhecer como também não tenho a lembrança do início de todo o esquecimento.