segunda-feira, 17 de maio de 2010

.E tu, Brasil...


Sim, todos vós que representais o mundo
Homens altos
Passai por baixo do meu desprezo.


Mandem isso tudo para casa, descascar batatas simbólicas.

sábado, 15 de maio de 2010

Sério, quieto, feito ele mesmo, só igual a ele mesmo nesta vida.

De pensar assim me desvalendo. Eu tinha culpa de tudo, na minha vida, e não sabia como não ter. Apertou em mim aquela tristeza, da pior de todas, que é a sem razão de motivo; que, quando notei que estava com dor-de-cabeça, e achei que por certo a tristeza vinha era daquilo, isso até me serviu de bom consolo. E eu nem sabia mais o montante que queria, nem aonde eu extenso ia.


Grande Sertão: Veredas

.Quando acordei, não cri: tudo o que é bonito é absurdo.


Gostava de estudar sozinho e de brincar de geografia. Mas, tempo bom, de verdade, só começou com a conquista de algum isolamento, com a segurança de poder fechar-me num quarto e trancar a porta. Deitar no chão e imaginar estórias, poemas, romances, botando todo mundo conhecido como personagem, misturando as melhores coisas vistas e ouvidas.


Guimarães Rosa


.Havia de ser amor, e era, sem medo.

Com a focinhez que me foi dada

Encontro alguns dejetos. Depois, estendido

Na pedra (que dizem ser meu peito), busco um sinal.

E de novo farejo. Há quanto tempo. Há quanto tempo te quero sentir.

Hilst, H. Do Desejo. p. 87

E enfeixando energia, cintilando. Fez de nós dois um único indivíduo.


- Queres voar? Queres trocar o moroso das pernas

Pela magia das penas, e planar coruscante

Acima da demência? Porque te vejo às tardes desejosa.

De ser uma das aves retardatárias do pomar.

Aquela ali talvez, rumo ao poente.

Então aproximou-se rente ao meu pescoço:

- Esquece texto e sabença: as cadeias do gozo.

E labaredas do intenso te farão vôo.


Hilst, H. Do Desejo. p. 77