sábado, 17 de novembro de 2007

Nada nos humilha mais do que a coragem alheia.



Esse primeiro palpitar da seiva, essa revelação da consciência a si própria, nunca mais me esqueceu, nem achei que lhe fosse comparável qualquer outra sensação da mesma espécie. Naturalmente por ser minha. Naturalmente também por ser a primeira.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

.a tenção.



"Era brasileira, filha de lituanos, mas brasileira. De vez em quando, puxava um sotaque. Pintadíssima, sardenta, manchada como uma tordilha. Sempre que fazia o gesto, era um alarido de pulseiras, pingentes, colares, o diabo. Muito olhado, ele ia passando. E, de repente, na escada, começou a ter nojo, simplesmente nojo, da mulher. Em seguida, começou a ter nojo do cheiro do pai quando estava para morrer. Vinha descendo uma das mulheres. Madame deu risada:
- Vou namorar."
Nelson Rodrigues

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

No colo da bem-vinda companheira
No corpo do bendito violão
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Bertold Brecht

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Minha Menina e a Menina Dela.


Pois o amor sempre vem daquele outro lugar, da outra metade. A irremediável necessidade de um dia ser alguém em totalidade veio agora bater-lhe a porta, não chegou de forma brusca, não apanhou apenas de toalha e não trouxe cobranças, veio na figura de alguém feliz, travou um discurso lírico e comprovou todos os laços afetivos. Afinal para ela ser mãe não é simplesmente existir, é ser um emaranhado de sentimentos tão profundos e sinceros que não tolera limites.

Conte comigo.

lg

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

O mesmo Deus que dá, tudo toma.


Você que inventou o pecado esqueceu-se de inventar o perdão.
Quando chegar o momento esse meu sofrimento vou cobrar com juros, JURO!
Todo esse amor reprimido, esse grito contido, este samba no escuro
Você que inventou a tristeza ora, tenha a fineza de desinventar
Você vai pagar e é dobrado cada lágrima rolada nesse meu penar.

Ainda pago pra ver o jardim florescer qual você não queria
Você vai se amargar vendo o dia raiar sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir que esse dia há de vir antes do que você pensa

sábado, 29 de setembro de 2007

Escuta aqui, terráqueo, deixa de ser débil mental.


Explicar que sou um grande homem e não digo que sou uma grande mulher pela mesma razão por que não existe onço, só onça, nem foco, só foca, tudo isso é um bobajol de quem não tem o que fazer ou fica preso a idiossincrasias da língua, como aquelas cretinas feministas americanas que queriam mudar history para herstory, como se o his do começo da palavra fosse a mesma coisa que um pronome possessivo do gênero masculino, a imbecilidade humana não tem limites.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

.o homem é a cloaca do universo.

Não há nada a lamentar sobre a morte, assim como não há nada a lamentar sobre o crescimento de uma flor. O que é terrível não é a morte, mas as vidas que as pessoas levam ou não levam até a sua morte. Não reverenciam suas próprias vidas, mijam em suas vidas. As pessoas as cagam. Idiotas fodidos. Concentram-se demais em foder, cinema, dinheiro, família, foder. Suas mentes estão cheias de algodão. Engolem Deus sem pensar, engolem o país sem pensar. Esquecem logo como pensar, deixam que os outros pensem por elas. Seus cérebros estão entupidos de algodão. São feios, falam feio, caminham feio. Toque para elas a maior música de todos os tempos e elas não conseguem ouví-la.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Deu-lhe um belo nome: a inquietante estranheza


...o indivíduo não mais se identifica com o que ele é, sabe ou faz. Para ele não conta sua realização íntima e pessoal, mas apenas o sucesso em vender socialmente suas qualidades.

domingo, 16 de setembro de 2007

Apêndice vivo de um mecanismo morto.


De muito gorda a porca já não anda 
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade
Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado

Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.

...mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura!
Eu te amo.

Infelizmente a aparência é um dado imediato diferente da essência.


Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto o mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E a mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo, afasto o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso


Morreu na contramão atrapalhando o trafico.

Não é a consciência que determina o ser, mas o ser que determina a consciência.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Amor...à João Pedro o Grande e Nicole a Bela.

em dose dupla!

Curto porém perfeito


Adoro os teus cabelos
Adoro a tua voz
Adoro teu estilo
Adoro tua paz de espírito