sábado, 16 de junho de 2012

.Do NADA.


Bonito isso. Essa coisa de subir a colina a cavalo, escuta, era de noite ou de dia? Eram planos. Chegamos ao cume. Não saímos de casa. Era manhã. O ar tinha certos cheiros. Concentre-se, isso me interessa, que cheiros exatamente? Oh, mulher, conte os cheiros que havia. Se eu soubesse que cheiros eram eu não teria dito certos. As sutilezas da língua. Então aproveite e fale do seu de dentro, porque assim como você vem fazendo a coisa vai se perder. O meu de dentro é turvo, o meu de dentro quer se contar inteiro, quer dizer que nos juntamos aqui por algum propósito, acho que seremos alguém, não podemos estar aqui por nada. Nem eu as colocaria aqui por nada, entende? Tu mesmo, seria tão simples te definir. Ou não te defino? 
Hilst, H. Fluxo-Floema. SP: Globo, 2003. (p.37)

terça-feira, 12 de junho de 2012

.Ela presente.

Receita curta e boa: ser fiel e ser companheira.

.Bem pertinho de mim.



Quero ver a água do mar
Lambendo você nos seus pés
Você vai me despertar
Um apetite de mil caetés
Deixa essa chama queimar

.Nota.


Ingênua de vestido assusta!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Meu amor me dê a mão, e o coração, me dê!



Eu queria que você viesse penso tanto que quase acontece...

terça-feira, 29 de maio de 2012

.Destino: Recife.

O tempo revela a proximidade e marca o que é preciso manter.
Te envio um sorriso e um abraço apertado.
Parabéns, Alterego.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

.Como já disse, existe em nós uma saída pra tudo.


Hoje me sinto ridícula.
Eu ia mandar o trabalho para a Alemanha, porque somente a Alemanha, a grande fera pecadora, a que se puniu, punindo, é que ia entender a dimensão das futuras punições que eu vaticinava ao homem. Não mandei e não fui. Ou se fui, fiquei, saí muito rápido. Deve ser porque sopraram no meu ouvido: você está com uma úlcera na córnea, e por isso eu te aconselho a escrever daqui por diante coisas de fácil digestão, que você pode fazer com pouco esforço, acaba com a mania de escrever o que ninguém entende, que só você é que entende, é por causa dessas coisas que você tem agora uma úlcera na córnea. 

HISLT, H. Fluxo-Floema. São Paulo: Globo, 2003, p.30.

.A estrutura do.


O teu corpo está velho, teus ombros se estreitaram, teu peito afundou, tu, com a tua matéria espessa, eu com a minha matéria escassa, eu atravessando as paredes, que alívio, eu no jardim, subindo no tronco, sentado nos galhos, eu me alongando como um peixe, eu me tornando todas as árvores, todos os bois, as graminhas, as ervilhas. Você no seu corpo velho.
HH. Procure você mesmo.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

.É doloroso sair de si mesmo, vem uma piedade enorme do teu corpo.


Levanto-me e encaro-o. Digo: olhe aqui, o incognoscível é incogitável, o incognoscível é incomensurável, o incognoscível é inconsumível, é inconfessável. Ele me cospe no olho, depois diz: ninguém está te mandando escrever sobre o incognoscível, estou dizendo não se esqueça do incognoscível. Ah, está bem. Finjo que entendo. Quem é você, heim? Ele está começando a perder a paciência, está se aproximando, me esbofeteia, não faz mal, vai batendo, vai me arrancando os dentes, corta a minha língua, faz o que quiser mas eu não sei responder.
HISLT, H. Fluxo-Floema. São Paulo: Globo, 2003.