Me fiz tão forte quanto o escuro do infinito
E tão frágil quanto o brilho da manhã que eu vi chegar
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
.Pronta?
Isso inconstante. Isso cansativo.
Isso da ausência. Isso do outro.
Isso das vontades.
Isso das mulheres. Isso do amanhã.
Isso do sem sono.
Isso do ontem.
Isso de mim. Isso do falar.
Isso do silêncio. Isso da repetição.
Isso tudo. Isso de novo.
Amanhã.
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01:20
7
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
.O olhar cheio de desejo, o pensamento errante.
Ele obedeceu, portanto; porém, a ousadia de seu desejo protestou contra o servilismo de sua conduta.
FLAUBERT, G. Madame Bovary. SP, Abril: 2010 (p.32)
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20:26
6
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Você precisa ler e ler compulsivamente, depois vai melhorando e evoluindo para convulsivamente. Da neurociência e suas vantagens.
Você precisa nesses momentos ouvir uma música antiga e se transportar para outra década. Desmerecer o computador e invejar as máquinas que sujavam as mãos. Precisa pedir licença para o seu amigo com o entusiasmado: “vai, vamos lá” e sair de perto com um “depois falamos”. Se não der certo vá para o futuro. Pense no que for conquistar. Nunca leia auto-ajuda. Já disse em algumas ocasiões, auto-ajuda se é “auto” só ajuda quem escreveu o livro. Se nada der certo, se o passado ou o futuro não interessar, vá aspirar a casa.
LG
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18:45
0
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Marcadores: Minhas Palavras.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
.Alguma convulsão?
Mover-se. Por que não? Agora em férias, no segundo semestre falaria das revoluções, de muitas, vermelhas negras amarelas, enfoques adequados nem veementes nem solenes, enfoques despidos de adorno, o tom de voz nem oleoso nem vivaz, um sobre-tom doce pardacento, o lenço nas lentes, tirando e pondo os óculos, é sempre isso meus queridos.
Hilst, H. Tu não te moves de Ti. SP: Globo, 2004. (p.132)
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23:53
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.Trocava os lençóis todos os dias.
Então, calara-se, engolindo sua raiva num estoicismo mudo que conservou até a morte. Emagreceu, seu corpo alongou-se e seu rosto adquiriu uma espécie de expressão dolente que o tornou quase interessante. Naturalmente, por indolência, entrou a descrer de todas as resoluções que fizera. Uma vez faltou à consulta, no dia seguinte às aulas e, saboreando a preguiça, pouco a pouco não mais voltou a elas. Habituou-se a frequentar a taberna. Era como a iniciação na sociedade, o acesso aos prazeres proibidos; e, ao entrar, colava a mão sobre a maçaneta da porta com uma alegria quase sensual. FLAUBERT, G. Madame Bovary. SP, Abril: 2010 (p.22)
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22:11
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.La Piel que Habito.
A branca amada salva das águas e a quem fora prometido o trono do mundo.
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00:32
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
.Nada é mais horrível e poético do que a verdade.
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20:05
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domingo, 5 de fevereiro de 2012
É a falta de saudade que retira a inspiração?
Tacam peito na máquina e cumprem o dever cotidiano da crônica com uma espécie de desespero, numa atitude ou-vai-ou-racha. Uns afagam vaidades, outros as espicaçam; este é lido por puro deleite, aquele por puro vício. Coloque-se porém o leitor, o ingrato leitor, no papel do cronista. Dias há em que, positivamente, a crônica “não baixa”. O cronista levanta-se , senta-se, lava as mãos, levanta-se de novo, chega à janela, dá uma telefonada a um amigo, põe um disco na vitrola, relê crônicas passadas em busca de inspiração – e nada.
MORAES, Vinicius. Para viver um grande amor. RJ: J. Olympio. p.8
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13:41
9
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.Recorrer ao assunto da falta de assunto.
Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis. Com um prosador de cotidiano, a coisa fia mais fino
MORAES, Vinicius. Para viver um grande amor. RJ: J. Olympio. p.7
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12:59
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