quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

.Hilda Hilst e Vinicius de Moraes.



O entrevistado, José Castello, que escreveu uma biografia sobre o poeta, conta que Vinícius e Hilda Hilst tiveram um romance. Ia tudo bem, ela imaginou até que fosse viver juntos. Um dia viajavam e pararam num lugar à beira da estrada. Pediram carneiro- prato da casa. Ao olhar a janela Hilda viu que havia vários carneirinhos do lado de fora. Pediu para irem embora porque não conseguiria comer o pedido. Vinícius ficou uma fera, disse impropérios. Ela magoada foi embora. Acabou ai o caso de amor dos dois.

Em “Hilda Hilst – a sublime senhora H” os internautas vão conferir detalhes sobre a vida da autora, considerada uma das mulheres mais bonitas de sua geração, e que sonhava ter a sua obra conhecida por todos. “Me fechei nessa casa aos 33 anos para criar uma obra literária. Era o auge da minha beleza. Reneguei minha vida social, namorados, família, tudo. Foi uma atitude radical. Me entreguei por inteiro”. HH

.Com o deliberado propósito de seduzir.


Tranca-me.

Deita-te.

Sonha-me trancado.Teu.

Tanta volúpia que hoje tenho as mãos feridas.


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

.Eu sempre perdia a cabeça.

Um olhar de fêmea me fiz. Um brilho amendoado, tive ciúme tamanho da possível ternura, como ela deveria tocá-lo se o tocasse, examinei-lhe as mãos e surpreendi-me, dorso sem manchas, um claro de dentes, as mãos pendidas nem pareciam ter veias de tão lisas, olhando-as me detive nas ancas, que largas eram, que coisa desejável e espaçosa para mover-se sobre elas, esfregar-se, contorná-las com aquelas grandes mãos que eram as minhas, olhei minhas próprias ancas e vi pobreza, duras, estreitas, alta que sou, pensei, está bem que sejam como são, mas não estava de contentamento, alisei disfarçada meu encovado ventre e de canto de olhos vi o dela, um delicadíssimo redondo, curvatura de pequena maça. Ela venceria se nos colocassem à frente do desejo, ai santos meus, até onde vai parar meu pensar, que ruído de carapaças se batendo, que fervor de coisas lisas apossou-se de mim, aguilhões de um pardo sofrimento, dessa cor que não pode definir, as veias, eu gostava tanto das veias dela, o desembestado coração, ganas de sacudi-la, espirrar meu veneno e tomá-la inteira.

Hilst, H. Tu não te moves de Ti. SP: Globo, 2004.

domingo, 8 de janeiro de 2012

.Filosofando.

Quino. Toda Mafalda p.117

.Sem nenhuma novidade, o meu problema era a felicidade.

Vivam os espíritas, os monarquistas, os anormais, os criminosos de todas as espécies... Viva a filosofia com muita fumaça e pouco fogo... Viva o cão que ladra e que morde, vivam os astrólogos libidinosos, viva a pornografia, viva o cinismo, viva o camarão, viva todo o mundo, menos os comunistas... Vivam os cintos de castidade, vivam os conservadores que não lavam os pés ideológicos há quinhentos anos... Vivam os piolhos das populações miseráveis, viva a fossa comum gratuita, viva o anarco-capitalismo, viva Rilke, viva André Gide com seu coridonzinho, viva qualquer misticismo... Está tudo bem... Todos são heróicos... Todos os jornais devem sair... Todos podem ser publicados, menos os comunistas... Todos os políticos devem entrar em São Domingos sem algemas... Todos devem celebrar a morte do sanguinário, de Trujillo, menos os que mais duramente o combateram... Viva o carnaval, os últimos dias de carnaval... Há disfarces para todos... Disfarces de idealista cristão, disfarces de extrema esquerda, disfarces de damas beneficentes e de matronas caritativas... Mas cuidado: não deixem entrar os comunistas... Fechem bem a porta... Não se enganem... Eles não têm direito a nada... Preocupemo-nos com o subjetivo, com a essência do homem, com a essência da essência... Assim estaremos todos contentes... Temos liberdade... Que grande coisa é a liberdade!... Eles não a respeitam, não a conhecem... A liberdade para se preocupar com a essência... Com o essencial da essência...

Pablo Neruda