sábado, 7 de janeiro de 2012

.Talvez hoje eu fosse mais circunspecto, menos eloqüente.

Uma vez mais, este livro me parece hoje um livro impossível, pesado, penoso, de imagens frenéticas e incoerentes, sentimental, aqui e acolá açucarado até a afetação. Que pena que eu não tenha ousado exprimir como poeta aquilo que tinha a dizer então: talvez eu o tivesse conseguido! Ainda hoje resta praticamente tudo a descobrir e a trazer à tona.

NIETZSCHE. O Nascimento da Tragédia - Coleção Grandes Obras do Pensamento Universal

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

.É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias.


Eu prepararei sem contar às vezes o seu café da manhã e a sua roupa para o trabalho. Tirarei seus sapatos e tecerei o sapatinho dos seus filhos. Cozinharei cozidos de domingo e me darei bem com sua tia falante. Eu aprenderei suportar seus cachorros e as dentadas deles nas nossas almofadas. Esperarei aflita que você retorne daquelas reuniões com os amigos e exiba um colarinho branco sem batom. Eu sentirei saudades. Eu revelarei fotografias. Explodirei se preciso. Suportarei muitas coisas e deixarei que construa seu próprio termômetro meu. Eu esperarei a noite da cabana, o outono, as festas, os vinhos e não me esquecerei de uma promessa feita, eu passarei o café todos os dias! Te amarei enquanto me amar, e quando deixar de amar, ainda te amarei por um longo tempo, na esperança que volte. Te amarei!

LG

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

.Disse para que lhe faltasse o ar, disse e depois calei-me.


Eu queria perguntar de alegrias maiores que não sei. Eu seguia o andar dela com olhos de pergunta, mas pensava que se perguntasse, o temporal de novo, a lua atravessada de nuvens, e as espadas, e o ouriço. Emudeceu encostando-se à mesa, passou a língua nos lábios, no canto da boca a carne com tremuras. Eu queria perguntar de alegrias pra ela quando suas mãos geladas tocaram-me.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

.Não te ponhas assim toda espremida.

Andou como a rainha até a varanda, nem me olhou, as mãos nas mangas enfiadas, tentei abraçá-la por trás, as mãos na cintura, encostei meus cabelos nela, empurrou-me altiva usando os cotovelos. Larga-me menina. Tinha os olhos tão ferida, a boca molhada de lágrimas, dizia guturais incompreensividades. Que não! Não te ponhas assim de soledade, soluço, me dizia aos trancos, porque te fiz de mágoa, mas também te fiz de quentura, luzente de graça, tão pequenina que não era nada, depois você aprendeu que os velhos têm garganta gemedora, mas que no mais das vezes é porque a vida esvai-se.

.Cravou-se coisa comprida em mim, como de um ferir profundo.

Em torno dela um emaranhado de ondas e de nadas, e isso eu não queria ousar, mas de teimosia me fiz e pensei: olhava-me como alguém que amava rigorosamente o que me pertencia, amava-o, depressa me veio o pensado e outra vez apaguei, devia ser coisa de mim, falsos acendimentos do espírito, ri depressa para desfazer os artifícios da fala dos outros, perdoa se te agitei.

Hilst, H. Tu não te moves de Ti. SP: Globo, 2004. (p.74)

domingo, 1 de janeiro de 2012

.Era hora de ter filhos.


Boa mãe ela sabia que seria e de tanto afirmar todo mundo acreditava.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011