Empreendeu muitas viagens, desfrutando de seu tempo para escrever e conviver com amigos e intelectuais. Não conseguindo levar a termo uma grande aspiração, a de casar-se com sua amada, entregou-se à solidão e ao sofrimento, isolando-se em sua casa, na companhia de sua mãe e de sua irmã. Atingido por crises de loucura, passou os últimos anos de sua vida recluso. Era dotado de um espírito irrequieto, próprio de um grande pensador. De índole romântica, poeta por natureza, levado pela imaginação, era o tipo de homem que vivia recurvado sobre si mesmo. Emotivo e fascinado por tudo o que resplende vida, era ao mesmo tempo sedento por liberdade espiritual e intelectual; levado pelo instinto ao mundo irreal, ao mesmo tempo era apegado ao mundo concreto e real; religioso por natureza e por formação, era ao mesmo tempo um demolidor de religiões; entusiasta defensor da beleza viva, era também crítico feroz de toda fraqueza humana; conhecedor de si mesmo, era seu próprio algoz. Espírito irrequieto e insatisfeito, consciência eruptiva e crítica, vivia uma vida de lutas contra si mesmo, de choques com a humanidade, de paradoxos sem limites.
NIETZSCHE. O Nascimento da Tragédia - Coleção Grandes Obras do Pensamento Universal



