sábado, 3 de dezembro de 2011

Vinicius era capaz de tudo, qualquer baixeza para conquistar uma mulher.


Às vezes tenho impressão que não vou poder mais agüentar nem mais 5 minutos sem te ver. E ainda faltam tantos 5 minutos, meu bem.

.Tudo é discurso.


Não seja gozante, a vida é hipócrita!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

.Aquilo foi um golpe traiçoeiro na boca do estômago da sensibilidade.

.Homo.


Nenhum de vós ao certo me conhece,
Astros do espaço, ramos do arvoredo,
Nenhum adivinhou o meu segredo,
Nenhum interpretou a minha prece...

Ninguem sabe quem sou... e mais, parece
Que ha dez mil annos já, neste degredo,
Me vê passar o mar, vê-me o rochedo
E me contempla a aurora que alvorece...

Sou um parto da Terra monstruoso;
Do humus primitivo e tenebroso
Geração casual, sem pae nem mãe...

Mixto infeliz de trevas e de brilho,
Sou talvez Satanaz;—talvez um filho
Bastardo de Jehová;—talvez ninguem!



(PORTO — IMPRENSA PORTUGUEZA MDCCCLXXX)

Antero de Quental

Nota: mantida a escrita original.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

.Da série: verdades.


Não seja hipócrita, a vida é gozante!

Eu não vim fazer um discurso!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

.Guarde o que quer que guarda.

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.


Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.


Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

.Justo.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

.Vem do nada.

Vem revestida às vezes de aspereza

Vem com brilhos de dor e madrepérola

Mas ressoa cruel e objeta

Se me proponho ouvir.


HH

domingo, 27 de novembro de 2011

.De mastigar e lamber a carne, o escorrer vermelho, ferido.

Ouvia sempre quando menina as conversas de muitas mães da aldeia, que uma escondeu seu filho num buraco de pedras, e escondida também ao lado dele envelheceu para que não o levassem as guerras, e outra muito pequena, que deixou seu filho nas ramagens um instante enquanto ia banhar-se no rio e na volta teve o espanto de ver a três passos da criança um animal tão grande como o tigre, de muita semelhança, a pele com riscados, as patas redondas, num rugido o animal mostrou dentes de lança, e ela tão pequena atirou-se ao corpo da fera, também deu rugidos como se fosse a fêmea do animal maldito, lutou fêmea que era, o pequenino balançava-se rindo, de inconsciência gentil, lhe parecendo talvez que a mãe o mimava com uma cena de circo, e de cicatrizes tão fundas ela, ao longo da vida, escondeu a cara. Era um espectro saído das águas.

Hilst, H. Tu não te moves de Ti. SP: Globo, 2004. (p.73)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

.Para mim foi um último fracasso e deserção.

E fora uma despedida de fugitivo e vencido, uma declaração de falência ante mim mesmo, uma despedida sem consolo, sem supremacia, sem humor. Da mesma forma que um paciente de úlcera estomacal se despede do leitão assado. Furioso, corri sob a luz dos lampiões, furioso e com uma tristeza mortal. E assim sendo, aquela comédia tinha de acabar hoje mesmo. Vá para casa, Harry, e corte o pescoço! Chega de esperar! Corri pelas ruas de um lado para outro, impulsionado pela miséria. Nada me restava de tudo aquilo, nem sequer o arrependimento.

HESSE, Hermann. O lobo da estepe. RJ: Record, 2007. (p.94-5)



quarta-feira, 23 de novembro de 2011

.Mas que bandeira é esta?


Numa época em que se fala tanto em democracia, igualdade, mobilidade social, ausência de classes, e assim por diante, continua a ser um fato básico da vida dos países capitalistas avançados o de que a imensa maioria dos homens e mulheres daqueles países tem sido governada, representada, administrada, julgada e comandada na guerra por pessoas oriundas de outras classes econômicas e socialmente superiores e relativamente distantes.


MILIBAND, R. O Estado na Sociedade Capitalista. RJ: Zahar, 1972. (p.87)


.Velha.


Vá para o inferno, porque eu estou voltando.


Muitas palavras parecendo sábias. Muito carregante de limpezas, e na alma a secura misturada à volúpia e à vergonha. Sorri de tais e tantas sabedorias e me encontrei tão tímida. Sorri mais largo. Estava sim tomada e descrever me parece serviço de eruditos, dos que pernoitam cabeça nos papéis. [A continuação desse fragmento é magistral, busque-a]


HILST, H. Tu não te moves de ti. São Paulo, Globo: 2004. (p.69)


.O que eu via era amplo e descabido para o entendimento.


Essas coisas na minha mente ou no de dentro dos olhos, e fora onde estou um desenho arrumado, uma pintura de calma, ainda me sei e sou à frente desta cara? Eu morreria amplidões de vezes para voltar à minha tarde rara.


HH