sexta-feira, 11 de novembro de 2011

.Singela e de rudeza, mas com finuras de mulher educada.

As pernas tão compridas. era como se à minha volta rodasse, serena parecia mas se desse um passo meu corpo se faria um canteiro de flores devastado, de olhá-la soube que a alma me tomaria, tomou-a, e de palavra pouca, tantas dentro de si onde não se dizia, era como se fosse o reverso do belo sem deixar de sê-lo, ao redor a tarde ficou imóvel, as árvores e as águas sem ruído, eu mesma parecia desenhada e não viva como estivera há pouco, e mais viva do que nunca é o que eu estava.

HH

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

.Somos todos severinos?


Definitivamente não, no meu tempo eu não era assim, meus amigos não eram assim, meus professores não eram assim e eu nem sou tão velha assim. Realmente a escola pública vem sofrendo de uma esquizofrenia generalizada, e é necessário mergulhar na merda para sentir na pele o mau cheiro. Sejamos verdadeiros, estamos enganando quem? Ou melhor, quem ensinou, tão cedo, essas CRIANÇAS a se enganarem? Tomem por criança até 22 anos, que é o que eu encontro todo dia das 7:30 ao 12:00, ainda, no segundo colegial. O que nos espera quando tivermos que lidar com os males produzidos por esses indivíduos-alunos contemporâneos da sociedade-google? Quando esses estiverem responsáveis por nos operar, nos medicar, nos atender... Eles chegarão ai? Se enfrentarmos o debate das capacidades a resposta é um NÃO bem gritado. Se pensarmos que as universidades particulares têm (desculpem) aberto as pernas para qualquer babaca que venha a pagar a mensalidade no dia, pronto, eles se formarão. Sabe aqueles trabalhos que nos passavam na escola e ficávamos a semana toda comprometidos, assustados e só de pensar tremíamos? Pois bem, isso já é da era-jurássica. Sabe o que representava ir à biblioteca no contra turno com os amigos, olhar as estantes, copiar as partes mais relevantes dos livros e, se necessário, copiar até a letra ficar redonda e legível? Pois bem, isso também já é da era-jurássica. Por isso hoje recebemos o mesmo trabalho em todas as classes. Fonte? Wikipédia. Leitura? Das quatro linhas que vai ser apresentada. Compreensão? Nenhuma. Interesse? Nenhum. Cinismo? Todos os possíveis. Sociedade-google ou sociedade-cínica? Me ajudem a achar o melhor termo. Desculpas sinceras aos alunos de hoje que ainda fazem seus trabalhos e se dedicam. Lamentações enfáticas aos que não fazem e se servem da escola como passarela. Saudações amáveis aos meus professores e colegas. Acorda alunos! Estão jogando terra em vocês todos os dias e acreditem, a cova não é tão larga.


LG



terça-feira, 8 de novembro de 2011

.Da série campanhas: tire 1 dia para o trabalho.

Isso não é uma questão de ponto de vista. A afirmação é suficiente para que se entenda a relevância do que será discutido. Abaixo o tempo-máquina, o tempo-flash, o tempo-relógio, o tempo-sem-tempo. “Tranquem tudo isso a chave e joguem a chave fora”. É tempo de desumanizar-se, de não saber o sabor da manhã, de não ter tempo de sentar na grama e ter uma árvore para encosto. É tempo de salas lotadas e ares circulando vírus, de trabalhos empilhados, de coisas por fazer, só não é tempo de tempo. Tenho tempo para escrever este texto, não tenho? Você terá tempo de ler? Em tempo hábil vão brotando as frases: é tempo de listas extensas com ótimos livros para ler depois e péssimas leituras para ontem. O que se vive é o tempo-máquina na sociedade-máquina. Vamos nos equipando para vencer o tempo. Não consegue dar conta das leituras e programas que precisa concretizar no dia? Tome Ritalina e inclua o tempo noturno para a realização das suas tarefas. Com o tempo passando, você não consegue mais sentir prazer? O Viagra está aí para mudar isso. O tempo-flash está te deixando angustiado, ansioso, depressivo? Tome um ansiolítico e... não, o tempo-flash não irá se dissipar em tempos de câmera lenta, mas te dará a impressão de que você não mais sofrerá com isso. E assim nos produzimos homens-máquinas, equipados contra angústias, contra sofrimentos, armados para não sentir o tempo passar. E o tempo? Este continua intacto.

LG
AlterEgo

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

.Era outra mudança.

Está sobrando parafuso. É a pior coisa que pode acontecer quando se termina de montar algo. Quando se vira com aquela cara de satisfação e orgulho e ouve um relato: esta sobrando parafusos, vários, mais de cinco. – Está seguro, veja! Segura, empurra, faz parecer firme e perfeito. A pessoa se convence, mas fita as portas muito espaçadas. – Ou era assim, ou ficaria raspando. Sobra aquela feição de descontentamento. O cansaço e a perturbação contra o conformismo e o desgosto. – É, acho que não ficou tão ruim. Vão se criando remendos, as situações, quando transcorrem entre pessoas sensatas, cobrem com remendos os contratempos. Então se vive de remendos? Quando se foge disso começa faltar parafusos? Falta, falta sim. Falta muito mais de cinco parafusos na autora. Vários. Flui o pensamento em direções desconexas e da falta de sentido se cria uma combinação. Na falta ou na sobra? Quando será que me sinto verdadeiramente eu? Qual é o meu lugar? Quais as peculiaridades de que necessito para me sentir parte de algum espaço? Quantas vezes mais vai ser preciso puxar fios, realocá-los? Como é a sua dor de ser no mundo? Um corpo recortado e submerso em um todo sem sentido. Parece-me, de qualquer forma, que não possuo as habilidades necessárias para me apropriar de fato das coisas que aos olhos alheios são tão naturais, tão fáceis de conseguir. E da falta de jeito e da sobra de olhares me construo arduamente.

LG

domingo, 6 de novembro de 2011

.Torna-se muito penoso relatar como se deu a coisa, como fui tomada de um sentir nunca sentido.

Pude tocar demorado. Por uns dias saciada larguei coisas e frutos nos seus próprios lugares, a casa estava em ordem, os arredores, a menina sonhava no seu quarto. Matamoros se soube duradera na carne do outro, como um gancho que furasse, rica de lambeduras, magoante cadela, sei de mim a saliva, os dedos, horas alongadas revolvendo a terra. Menina, por que tocas em tudo como se fosse funduras? Fujo. Fera-menina escondida nos tocos, me pego sozinha e assim que digo sinto que se aquecem de contentamento.

HH

remember remember the 5 of november

V FOR VENDETTA

sábado, 5 de novembro de 2011

.Que horror, que lindo.



Cada coisa é demais, e tantas... Quais eram as minhas esperanças? O que é ameaça, o que é promessa?

Que braseiro, que fornalha.

Eu te asseguro, não chore não, viu! Eu voltarei, viu! Meu coração.