sábado, 22 de janeiro de 2011

Tive imensa vergonha de voltar à casa de meus pais em estado deplorável.

Não pude deixar que tal resolução tivesse alterado muito a minha vida. Tornou-me um pouco mais indiferente para com minhas aflições, um pouco mais descuidada no uso do vinho, um pouco mais curiosa de conhecer os limites do suportável, mas isso não era tudo. Os outros acontecimentos daquela noite tiveram efeito mais perdurável. Voltei a ler muito e várias vezes os mesmos livros, já com abnegação e agradecimento, já com desprezo e desdém pela insipidez das linhas, que ao meu ver, não compreendiam em absoluto a disposição e o transe específico de minha vida.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

.Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito.

Não posso negar que após cada uma dessas comoções de minha vida, no final sempre me restava algum proveito, um pouco mais de liberdade, de profundidade, mas também de isolamento, de frigidez.

HESSE, Hermann. O lobo da estepe. RJ: Record, 2007. (p.79)



.É mais prudente e simples impedir a repetição de tanta dor e sair de cena.

Toda vez que eu me acho, achatado sobre minha cara
Eu recolho meus pedaços e volto a corrida

.Porque esse velho e belo mundo continua a girar.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

.O equívoco reside numa falsa analogia.

Como ocorre aos gênios, rompem a ilusão da unidade personalística e percebem que o ser se compõe de uma pluralidade de seres como um feixe de eus, e chegam a exprimir essa idéia, então imediatamente a maioria as prende, chama a ciência em seu auxílio, diagnostica esquizofrenia e protege a humanidade para que não ouça um grito de verdade dos lábios desses infelizes.

HESSE, Hermann. O lobo da estepe. RJ: Record, 2007. (p.69)