segunda-feira, 8 de março de 2010

. Wish you were here.

Extrema, toco-te o rosto. De ti me vem

À ponta dos meus dedos o ouro da volúpia

E o encantado glabro das avencas. De ti me vem

A noite tingida de matizes, flutuante

De mitos de águas. Inaudita.

Extrema, toco-te a boca como quem precisa

Sustentar o fogo para a própria vida.

Extrema, inomeada, antes tão memória.

E tão jovem agora.


HILST, H. Do Desejo. SP: Globo, 2004. (p.54)


.Não me priva dos teus olhos absurdos.

quinta-feira, 4 de março de 2010

.Zoológico humano.

Utilizo a expressão “zoológico humano” por ser um parâmetro social que pode ser visto dessa maneira: pessoas que estão presas em um certo local, que são alimentadas, estimuladas a praticar certas atuações, que estão sob supervisão e suscetíveis a uma observação constante por outras pessoas, que constroem máscaras sociais. E tudo isso por quê? Para que outras pessoas, essas sim estão no topo da hierarquia dos humanos, possam ganhar dinheiro como conseqüência da clausura. No caso do zoológico dos humano a clausura passou a ser um desejo nacional.

Tatiana M. Alméri. Sociologia Ciência e Vida. N.27. (p.13)


quarta-feira, 3 de março de 2010

.Escrevo sem pensar, tudo o que o meu inconsciente grita.

Sérgio Buarque, modernista desde as primeiras horas do movimento, diria a Homero Senna, em entrevista de meados da década de 1940, que:

o movimento modernista facilitou o aparecimento de novas formas de expressão e criou um ambiente propício a toda experiência, no terreno artístico. Reagiu, sobretudo, contra certos estorvos que limitavam o horizonte literário e também contra os preconceitos que baniam da literatura determinados temas, considerados não-literários, indignos de interessar a um artista. Numa palavra, bateu-se por uma nova visão da vida e , por conseguinte, da arte. Os moços que surgem hoje e encontram o caminho aberto, não avaliam o esforço que foi preciso despender para aplainar o chão, removendo o entulho.


MONTEIRO, P. M. A queda do aventureiro. SP: Unicamp, 1999. (p. 37)