quinta-feira, 10 de setembro de 2009

.Não fala com pobre, não dá mão a preto.

Não carrega embrulho
Pra que tanta pose, doutor
Pra que esse orgulho
A bruxa que é cega esbarra na gente
E a vida estanca
O enfarte lhe pega, doutor
E acaba essa banca
A vaidade é assim, põe o bobo no alto
E retira a escada
Mas fica por perto esperando sentada
Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão
Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco afinal
Todo mundo é igual quando a vida termina
Com terra em cima e na horizontal

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

.Demorou a conciliar.

Mas nunca se acostumou com a nova casa, com o fogão de ferro tão diferente do de barro da outra casa, com os móveis cômodos, com os copos de vidro fino que quebravam por qualquer coisa. Andava pelas peças como uma estranha. Sentava-se na ponta das poltronas, olhava o rádio com desconfiança, só se sentia bem quando na varanda, descansava no comprido banco de madeira que trouxera da casa velha.

.A orquídea nasceu na terra do cacau.

Pássaros e livros, flores e versos, frases, gente, sentimentos que fazem surgir das palavras coisas como alegria, loucura e ironia. Olhou para os olhos dele, tão infantis! Viu o desejo brilhando, acreditou que fosse o amor e aquilo completou o sentimento. E foi só então que tudo se compreendeu perfeitamente.

E, quando na noite recém-chegada, eles se estenderam, lado a lado, no desejo do mundo mágico que o poeta possuía, ela suplicou:

- Fala... Fala, que eu quero te ouvir.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

.Eu sei que você sabe.


Um dia eu vou estar à toa. E você vai estar na mira.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

.A tudo isso, porém, chegaremos com tempo e paciência.

Meu desejo, meu único desejo, acreditem, é ser objetivo e sereno. Buscar a verdade em meio à polêmica, desenterrá-la do passado, sem tomar partido, arrancando das versões mais diferentes todos os véus da fantasia capazes de encobrir, mesmo em parte, a nudez da verdade. Mas, nem sempre é mais sedutora a completa nudez do que aquela que se mostra e se esconde sob um lençol ou um trapo qualquer a ocultar um seio, um pedaço de perna, a curva de uma anca.

.Como bem e não durmo mal.

Ora, como tudo cansa, esta monotonia acabou por exaurir-me também. Quis variar, e lembrou-me escrever um livro. Jurisprudência, filosofia e política acudiram-me, mas não me acudiram as forças necessárias.

domingo, 6 de setembro de 2009

.Mas a novidade não lhe atravessara a garganta

Não se pode dormir com todas as mulheres do mundo, mas deve-se fazer esforço.

(Provérbio do cais da Bahia)


Maria da Graça, porém, ao saber do fato, arrumou suas coisas e foi embora, tão silenciosa como viera. Não se queixou, não disse uma palavra de recriminação, mas tampouco aceitou desculpas e pedidos de perdão. Martim tomara um porre monumental, curtira a cachaça num quartinho dos fundos.

Se nem daquela vez tivera constância, se nem a doçura e o devotamento de Maria da Graça conseguiram prender seu leviano coração, se jamais mulher alguma mandara nele, como iria transformar-se assim de súbito, a ponto de falar em trabalho?


A iniciativa era tão nobre.


Só a república, senhores, o governo do povo pelo povo, o direito de voto às grandes multidões, pode trazer para o Brasil a paz, a ordem, o progresso, a felicidade, a verdadeira democracia, aquela que nasce do povo e se exerce em função do povo! Só a República limpará o Brasil da mancha da escravidão de cujo sangue se alimenta o Império...

Fora o Império,

Viva a República.

sábado, 5 de setembro de 2009

.Senhora.

Temei ainda, e, sobretudo, pelas que, mais vaidosas do que prudentes, não sabem, quando necessário, se fazer abandonar.

Temei, principalmente, por essas mulheres ativas em seu ócio, a que chamais sensíveis, e de cuja existência o amor se apossa tão facilmente; que sentem a necessidade de se ocupar dele mesmo quando não gozam; e que, abandonando-se em reserva à fermentação de suas idéias, com elas engendram essas cartas ardentes, tão doces mas tão perigosas; e não receiam confiar essas provas de suas fraquezas ao objeto que as causa; as imprudentes que não sabem ver no amante de hoje o inimigo de amanhã.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

.Quando chega o fim?.

Quando a lembrança e o costume prevalecer sobre a esperança e a surpresa.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

.Outros que contem passo por passo.

É nessa lenta sucessão das coisas que verá a solução de uma infinidade de problemas de moral e de política que os filósofos não podem resolver. Sentirá que o gênero humano de uma idade, não sendo o gênero humano de outra idade, e a razão por que Diógenes não encontrava um homem é que ele procurava entre seus contemporâneos o homem de um tempo que não existia mais.



.De repente da calma fez-se o vento.

Aqueles com cuja conduta mais se presta ao ridículo são sempre os que se metem a falar mal dos outros. Estão sempre prontos a observar o mais leve indício de simpatia para com alguém , espalham a noticia com o maior açodamento , desvirtuando as coisas a seu talante e apresentando-as como querem que sejam vistas.
Julgam poder justificar as próprias ações neste mundo, dando às dos outros o colorido que lhes convêm, e procuram inocentar as próprias intrigas com a ilusória esperança de se parecerem íntegros;
ou então querem fazer recair alhures algumas migalhas esparsas dessa reprovação pública , que os sobrecarrega em demasia.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

.

.Magnifique.

O egoísmo não consiste em vivermos conforme os nossos desejos, mas sim em exigirmos que os outros vivam da forma que nós gostaríamos.


.Com a atenção que deveras merece.

O homem não sabe de que lado virá a brusca descida do acaso. As catástrofes e as felicidades entram e saem como personagens inesperadas. Têm a sua fé, a sua órbita, a sua gravitação fora do homem. A virtude não traz a felicidade, o crime não traz a desgraça; a consciência tem uma lógica, a sorte tem outra; nenhuma coincidência. Nada pode ser previsto. Vivemos de atropelo. A consciência é a linha reta, a vida é o turbilhão. O turbilhão atira à cabeça do homem caos negros e céus azuis. A sorte não tem a arte das transições. Às vezes a vida anda tão depressa que o homem mal distingue o intervalo de uma peripécia a outra e o laço de ontem a hoje.