quarta-feira, 17 de junho de 2009

.Algumas peculiaridades.



Não se compreendem muito bem os motivos dos outros; não se sabe com segurança o que de fato os move.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

.Efeito Dominó.


"Presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti."




Hoje a autoridade arrombou a porta do meu vizinho e me calei, amanhã poderão arrombar a minha, a fim de me fazer calar.

LG

domingo, 14 de junho de 2009

.No soalho havia mancha de líquido e cacos de vidro.

Entrei apressado, atravessei o corredor do lado direito e no meu quarto dei com algumas pessoas soltando exclamações. Arredei-as e estaquei: Madalena estava estirada na cama, branca, de olhos vidrados, espuma nos cantos da boca.

.Aproximei-me, tomei-lhe as mãos, duras e frias, toquei-lhe o coração, parado. Parado.


Atormentava-me a idéia de surpreendê-la. Comecei a mexer-lhe nas malas, nos livros, e a abrir-lhe a correspondência. Madalena chorou, gritou, teve um ataque de nervos. Depois vieram outros ataques, outros choros, outros gritos, choveram descomposturas e a minha vida virou um inferno.

sábado, 13 de junho de 2009

.Um dia tudo acaba.

O que eu mais sinto falta de ti
É das tuas doces palavras em diminutivo.
É do teu mimar, do jeito carinhoso de me dar atenção.
Sinto falta de cheirar o seu pescoço
De tocar o seu cabelo...

Até do teu ciúme disfarçado sinto falta,
Também faz falta as tuas mensagens repentinas
E as tuas confissões ao pé da noite.

Coisas que aos poucos foram se perdendo,

com indícios de que logo, senão já,

tenha se perdido por completo.

Lg


.Distância.



Minha alma tem o peso da luz.
Tem o peso da música.
Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita.
Tem o peso de uma lembrança.
Tem o peso de uma saudade.
Tem o peso de um olhar.
Pesa como pesa uma ausência.
E a lágrima que não se chorou.
Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

.RARARA.

Cheguei a pensar em comer ela também, mas não dava, só os perfumes que ela usava já broxavam qualquer um e, além de tudo, não acredito que ela caísse, era do tipo meu-negócio-é-homem, uma dessas antas falocêntricas, falófilas e falólatras que não morrem porque lhes falta vergonha. Fiquei numa postura meio filosófica, meio melancólica. Enfim, tudo vai ficando mais fácil, embora não necessariamente melhor.

A Casa Dos Budas Ditosos


.A vida não é entendível.




E querendo mordê-la foi obrigado a beijá-la.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

.De dor de palavras na cabeça.

Quer saber o que se tem? Algo desalinhado, destrilhado, correndo solto sem paradeiro. E por que há de alguém esperar situação no mundo? Antes deixar seguir rumo, balançar as folhas, percorrer trecho. O que se projeta, com dificuldade se materializa. Não haveria de projetar então, imaginar longe. Pelo sentido de bom resultado conferido alegre diante da surpresa. A vida como um espetáculo descuidado da gente, mascarada. Carente de emoções vividas mais do que qualquer outra coisa.


LG

.O que juro, o que sei, é que tucano tem papo.

Olhe, o que devia de haver era de se reunirem-se os sábios, políticos, constituições gradas, fecharem o definitivo a noção – proclamar por uma vez, artes assembléias, que não tem diabo nenhum, não existe, não pode. Valor de lei! Só assim davam tranqüilidade boa à gente. Por que o Governo disso não cuida?



terça-feira, 9 de junho de 2009

.Embora amor dentro de mim eu tenha.


Depois de certo tempo cada um é responsável pela cara que tem. Vou olhar agora a minha. É um rosto nu. E quando penso que inexiste um igual ao meu no mundo, fico de susto alegre.

.Mas por que esse mal-estar?


Vou te fazer uma confissão: estou um pouco assustada. É que não sei aonde me levará esta minha liberdade.
Não é arbitrária nem libertina. Mas estou solta.

O jasmim é dos namorados. Dá vontade de pôr reticências agora.


Mas como fazer se não te enterneces com meus defeitos, enquanto eu amei os teus.

domingo, 7 de junho de 2009

.Condição básica.

Se ao menos a moça estivesse

fora de seus muros.

Que minucioso trabalho de paciência

o de cercá-la.

.Alegre até doer.


.O Dito não brigava de verdade com ninguém, toda vez de brigar ele economizava. Miguilim sempre queria não brigar, mas brigava, derradeiramente, com todos. Tomara a gente ser, feito o Dito: capaz com todos os horários das pessôas... [...] O Dito dizia que o certo era a gente estar sempre brabo de alegre, alegre por dentro, mesmo com tudo de ruim que acontecesse, alegre nas profundas. Podia? Alegre era a gente viver devagarinho, miudinho, não se importando demais com coisa nenhuma.