domingo, 16 de setembro de 2007

Morreu na contramão atrapalhando o trafico.

Não é a consciência que determina o ser, mas o ser que determina a consciência.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Amor...à João Pedro o Grande e Nicole a Bela.

em dose dupla!

Curto porém perfeito


Adoro os teus cabelos
Adoro a tua voz
Adoro teu estilo
Adoro tua paz de espírito

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Penso em tudo o que me disseste

A Cartola do afeiçoado senhor trepidou sutilmente cumprimentando a formosa donzela. Logo pela manhã o dia fazia-se agradável. De sol calmo. Uma parada no requintado café ORLEANS. A visita à loja de vinil era indispensável, porém, apenas desta vez, para evitar o atraso, rumou ao encontro de Sofia. Alguém em todo aquele vilarejo pensava nos prazeres da carne.

lg

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Uma perfeita forma de dominação autoritária: o trabalho.

Mas é interessante como ainda se insiste em criticar o Sul. É claro que é só inveja da genialidade do projeto sulista. Enquanto o resto do Brasil se esforçou para escravizar os índios e os negros, eles não. Eles só fizeram o suficiente para garantir a exploração da forma já conhecida: arrancaram a vegetação nativa, mataram todos os índios e trouxeram seus próprios escravos, poloneses, ucranianos, aí botaram todo mundo para trabalhar e pronto.

Se todo mundo gosta tanto de trabalhar porque não desistimos da felicidade preguiçosa e importamos de uma vez por todas a civilização européia? Só que daí teríamos que trazer também o que provavelmente faríamos questão de esquecer por lá: os movimentos revolucionários, as guerrilhas, o terrorismo, a anarquia.

SULISTAS

É claro que o Brasil sempre teve governos autoritários com alguns breves momentos de democracia. Então não adianta achar que ser democrático é dar o mesmo peso para a opinião de todos os cidadãos, sendo que só o Sul é industrializado o suficiente para segurar o resto do país. O Primeiro Mundo já provou que o trabalho, o desenvolvimento são os únicos caminhos de se chegar realmente à liberdade democrática, então para que perder tempo com as questões que não levam o lugar algum? Pessoas que trabalham dezesseis horas por dia ainda têm que ficar ouvindo essas discussões sobre formas de dominação, ficar divagando sobre quem domina quem. Só dá para divagar, se tiver gente trabalhando para segurar o país.
Se todos tivessem trabalho, os problemas com a liberdade ficam bem mais simples. A liberdade de consumo foi a única que deu certo até hoje, é por isso que os sulistas que compreendem esse espírito progressista brasileiro, é que têm o papel de gerar a identidade nacional. Esse nosso comportamento baseado no trabalho é o único capaz de preservar o país unido atualmente.

Uma perfeita forma de dominação autoritária: a felicidade.


Mas é engraçado como ainda se insiste em criticar a Bahia. É claro que é só inveja da genialidade do projeto bahiano. Enquanto o resto do mundo se esforça para dominar as massas seja pelo capitalismo, seja pelo socialismo, a guerra, a evolução, até o consumo, eles não. Eles só fazem o suficiente para gerar felicidade: mantém todo mundo pobre, coloca um som pra tocar e pronto. Tudo bem que eles sejam uns gênios, mas os que não querem ser felizes são obrigados a participar.
Se todo mundo prefere ficar feliz, por que não desistimos de vez da bandeira “ordem e progresso” e assumimos definitivamente essa ficção barata da felicidade moribunda, podre, mijada, essa imagem aprimorada da brasilidade enlatada que é boa pra todo mundo? Eu já estou calejada demais pra faturar com isso.

domingo, 2 de setembro de 2007

Andréa Dória


Às vezes parecia que era só improvisar
E o mundo então seria um livro aberto,
Até chegar o dia em que tentamos ter demais,
Vendendo fácil o que não tinha preço.

Eu sei - é tudo sem sentido.
Quero ter alguém com quem conversar,
Alguém que depois não use o que eu disse
Contra mim.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Vinicius de Moraes


Amo-te os braços juvenis que abraçam

Confiantes meu criminoso desvario

E as desveladas mãos, as mãos multiplicantes

Que em cardume acompanham o meu nadar sombrio.


Amo-te o colo pleno, onda de pluma e âmbar

Onda lenta e sozinha onde se exaure o mar

E onde é bom mergulhar até romper-me o sangue

E me afogar de amor e chorar e chorar.


Amo-te os grandes olhos sobre-humanos

Nos quais, mergulhador, sondo a escura voragem

Na ânsia de descobrir, nos mais fundos arcanos

Sob o oceano, oceanos; e além, a minha imagem.

Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela

O povo é que é sempre o sacrificado. Enquanto o condutor corria o guarda começou a apitar, que o bonde tinha parado no meio da luz verde aberta para os carros em direção contrária; parecia o dia de juízo, o bonde parado, os automóveis buzinando, o guarda apitando e sacudindo os braços, o pessoal do bonde rindo que era ver uns demônios. Afinal o bonde partiu, e que isso tudo acontecia porque o Governo promete mas não cumpre o dispositivo constitucional — sim, meus senhores, constitucional! — da mudança da capital da República. Imagine que delícia o Rio ficar livre de toda a laia dos burocratas, pelo menos um milhão de pessoas iria embora, e que maravilha o Rio com um milhão de vagas nos transportes, um milhão de vagas nas residências, um milhão de bocas a menos, para comer o nosso mísero abastecimento!
E aí o bonde inteiro aplaudiu, cada qual só pensava na vaga a seu lado. E, se aquele bonde fosse maior, talvez nesse dia, no Rio de Janeiro, houvesse uma revolução.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Em sentir sua frescura delicada, alegrezinha e cega, aqueles pedaços timidamente vivos, o coração da pessoa se enternecia úmido quase ridículo.

Veja bem. Se a gente é severo com os filhos, tipo aqueles pais que colocam os filhos de castigo e tudo o mais, dá uns tapinhas na bunda de vez em quando, os filhos ficam complexados. Aparece aquela sobrinha que estuda Psicologia na USP e diz que você é uma espécie de homem de Neanderthal? E que bater em criança é uma coisa absolutamente fora de questão, isso só faz crescer a raiva interior das crianças contra qualquer tipo de autoridade, e que já houve milhares de casos comprovados de adultos que se tornaram tarados sexuais, que se tornaram delinqüentes, um monte dessas coisas horríveis, só porque os pais batiam nelas quando elas eram pequenas.

Então, a gente resolve que não pode dar um tapinha na bunda nem obrigar a criança a comer verdura, isso também então já é um ponto pacífico, a gente nunca pode obrigar a criança a comer verdura, ela tem que comer o que quiser, porque o corpo sente necessidade das coisas, então quando a criança sentir necessidade de verdura, ela vai pedir verdura, não é para obrigar a criança a comer nada. Aliás, não é para obrigar a criança a nada, onde já se viu? veja aí os índios, que criam as crianças soltas e deixam elas fazerem o que querem. Então a gente cria os filhos sem tapinha na bunda, não obriga a comer verdura, não fica bravo quando eles xingam uma pessoa mais velha, e o que acontece? O filho vira um tarado sexual, um delinqüente, e a sobrinha que estuda Psicologia na USP diz que nosso filho ficou assim porque não teve pais que mostrassem as regras sociais, que as crianças precisam e até gostam que a gente demonstre autoridade, que isso dá mais segurança pra elas.

Qualquer coisa mesmo que você faça, se você bater ou não bater, se você obrigar os filhos a comer verduras, ou não obrigar, se você ensinar os filhos a respeitarem os mais velhos, ou não ensinar, tanto faz como tanto fez, o que acontece é que todos os nossos filhos vão acabar uns tarados sexuais e uns delinqüentes, essa é que é a verdade, uns tarados e uns delinqüentes que....
— Bilu, bilu, fala papai, fala, pa-pai...

Dizia que homem covarde não é cabra, é percevejo.


Se alguém me matasse. Se eu fosse abatido a tiros por uma amante, pelo marido de uma de minhas amantes, por um neurótico pela fama, por um serial killer americano que tivesse vindo ao Brasil, pelo engano de um traficante, por um assaltante num cruzamento, por uma das milhares de balas perdidas que cruzam a cidade, por uma dessas motos enraivecidas que alucinam o transito, por um colega de profissão inconformado com a minha fama. Se morresse em uma inundação, atingido por um raio ou por um arvore derrubada por um vendaval. Por um remédio com data vencida, por uma comida estragada. Uma tragédia noticiada por toda a mídia, alimentada e realimentada, provocando manchetes vorazes, devoradas com prazer pelo publico e construindo a minha legenda.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

O vento vai dizer lento o que virá...


Para sair do costumeiro que seja em pequenas doses. De shorts Jeans e musicalidade todos constroem seus imaginários. Aqueles que ainda trazem consigo uma nota, a cor da pele guardado na memória e lembranças daqueles dias de outrora, é porque sabe que a música não acabou. Talvez no canto daquela poltrona ainda esteja alguém esperando para ser tirada para dançar, o momento pode ser errado, mas o relógio insiste em fazer trabalhar os ponteiros.
lg

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Ao modo de Woolf


Verdade é que não desejava intimidade, desejava conversa. A intimidade é um dos caminhos para o silêncio, e mrs. Crowe abominava o silêncio. Era preciso haver conversa, e que esta fosse geral e que abarcasse tudo. Não devia ser profunda demais nem inteligente demais, pois se progredisse muito nessas direções alguém certamente se sentiria de fora, e ficaria sentado ali, balançando a xícara de chá, sem dizer nada.

As vozes do Morto

Parece traduzir nos seus trejeitos um permanente pedido de desculpas por tudo o que fez e pelo que não fez, perdão até de se ter casado com Dona Leonor que Novinha e não agora aquela máscara de pó, não era para se ter dado a ele, um sapateiro de origem impregnado pelo cheiro da sola dos dedos curtos e chatos, grudados de verniz. Dona Leonor estudou em colégio de Freiras, segundo ela mesma diz, sem propósito de diminuir o marido, apenas uma alusão saudosa a outra época, com os olhos grandes calmamente perdidos na distância ainda hoje experimenta um velho piano na sala, encimado pela toalhinha e pelo jarro de flores artificiais, onde já dormitam moscas quietas e reclama-se os dedos, já não são os mesmos.