terça-feira, 17 de julho de 2007
Bugio Moqueado
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segunda-feira, 16 de julho de 2007
ALEGRIA DE ESTAR COM VOCÊ
Hollywood fica ali bem perto,
só não vê quem tem um olho aberto
Ói nós aqui, Ói nós aqui,
Hollywood é um sonho de cenário,
Vi um pau-de-arara milionário
E eu que nem sonhava conhecer o tal Recife,
Pobre saltimbanco trapalhão.
Hoje sou mocinho, sou vizinho do xerife,
dou rabo-de-arraia em tubarão
Ói nós aqui, Ói nós aqui,
Tem de tudo nessa Hollywood,
Vi um índio cheio de saúde
Ói nós aqui, Ói nós aqui,
How do you do?
Caruaru, I wanna see piripipi. Ói nós aqui
Ói nós aqui, Ói nós aqui,
Camelôs, malucos e engraxates,
Aproveitem enquanto o sonho é grátis
Quem há de negar que é bom dançar, que a vida é bela,
neste fabuloso Xanadu.
Eu só tenho medo de amanhã cair da tela
e acordar na casa do Bubu
Ói nós aqui, Ói nós aqui,
How do you do?
Banabuiú, I wanna buy o Paraguai.
Hollywood and me
Ói nós aqui (vixe!)
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13:42
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quinta-feira, 12 de julho de 2007
O SOLDADO JACOB
O Hospital da "Charité" é dirigido pelo célebre psiquiatra Dr. Luys, cujos estudos recentes sobre o magnetismo, tanta discussão têm provocado. De fato, o ilustre médico tem ressuscitado, com o patrocínio do seu alto valor científico, teorias que pareciam definitivamente sepultadas. Não é delas, porém, que lhes quero falar.
Havia no hospital, há vinte e três anos, um velho soldado maníaco, que eu, como todos os médicos que freqüentam o estabelecimento, conhecia bastante. Era um tipo alto, moreno, anguloso, de longos cabelos brancos. O que tornava extraordinária a sua fisionomia era o contraste entre a tez carregada, os dentes e os cabelos alvíssimos, de um branco de neve imaculada, e os indescritíveis olhos em fogo, ardentes, e profundos. A neve daqueles fios alvos derramados sobre os ombros e o calor daqueles olhos que porejavam brasas atraíam, invencíveis, a atenção para o rosto do velho.
Havia, porém, outra cousa para prendê-la mais. Constantemente, um gesto brusco e mecânico, andando ou parado, os seus braços encolhiam-se e estendiam-se, nervosos, repetindo alguma cousa que parecia constantemente querer cair para cima dele. Era um movimento de máquina, um solavanco rítmico de pistão, contraindo-se e distendendo-se, regular e automaticamente. Sentia-se bem, à mais simples inspeção, que o velho tinha diante de si um fantasma qualquer, qualquer, alucinação do seu cérebro demente - e forcejava por afastá-la. Às vezes quando os seus gestos eram mais bruscos, o rosto assumia um paroxismo tal de pavor, que ninguém se furtava à impressão terrificante de tal cena. Os cabelos ouriçavam-se sobre a sua cabeça (era um fenômeno tão francamente visível, que nós o seguíamos com os olhos) e de todas as rugas daquele rosto amorenado desprendia-se um tal influxo de pavor e a face lhe tremia de tal sorte, que, na sua passagem, bruscamente, fazia-se um silêncio de morte.
Os que entram pela primeira vez em uma clínica de moléstias mentais têm a pergunta fácil. Vendo fisionomias estranhas e curiosas, tiques e manias que julgam raras, multiplicam as interrogações, querendo tudo saber, tudo indagar. Geralmente as explicações são simples e parecem desarrazoadas. Uma mulher que se expande em longas frases de paixão e arrulha e geme soluços de amor, com grandes atitudes dramáticas, - todos calculam, ao vê-la, que houve talvez, como causa de sua loucura, algum drama pungentíssimo.
Indagado, vem-se a saber que o motivo da sua demência foi alguma queda que interessou o cérebro. E esse simples traumatismo teve a faculdade de desarranjar de um modo tão estranho a máquina intelectual, imprimindo-lhe a mais bizarra das direções.
Assim, os que freqüentam clínicas psiquiátricas por simples necessidade de ofício, esquecem freqüentemente este lado pitoresco das cenas a que assistem e, desde que o doente não lhes toca em estudo, desinteressam-se de multiplicar interrogações a seu respeito. Era isto o que me tinha sucedido, acerca do velho maníaco.
Ele tinha livre trânsito em todo o edifício; era visto a todo instante, ora aqui, ora ali, e ninguém lhe prestava grande atenção. Da sua história nunca me ocorrera indagar cousa alguma.
Uma vez, porém, eu vim a sabê-la involuntariamente.
Nós estávamos no curso. O professor Luys dissertava sobre a conveniência das intervenções cirúrgicas na idiotia e na epilepsia. Na sala estavam três idiotas: dois homens e uma mulher e cinco casos femininos de epilepsia. O ilustre médico discorria com a sua clareza e elevação habituais, prendendo-nos todos à sua palavra.
Nisto, entretanto, o velho maníaco, conseguindo iludir a atenção do porteiro, entrou. No seu gesto habitual de repulsa, cruzou a aula, afastando sempre o imaginário vulto do espectro, que a cada passo lhe parecia embargar o caminho. Houve, porém, um momento em que a sua fisionomia revelou um horror tão profundo, tão medonho, tão pavoroso, que de um arranco as cinco epiléticas ergueram-se do banco, uivando de terror, uivando lugubremente como cães, e logo após atiraram-se por terra, babando, escabujando, entremordendo-se com as bocas brancas de espuma, enquanto os membros, em espasmos, agitavam-se furiosamente.
Foi de uma dificuldade extrema separar aquele grupo demoníaco, de que, sem tê-lo visto, ninguém poderá fazer uma idéia exata.
Só, entretanto, os idiotas, de olhos serenos, acompanhavam tudo, fitando sem expressão o que se passava diante deles.
Um companheiro, ao sairmos nesse dia do curso, contou-me a história do maníaco, chamado em todo o hospital o "soldado Jacob". A história era simplíssima.
Em 1870, por ocasião da guerra franco-prussiana, sucedera-lhe, em uma das pelejas em que entrara, rolar, gravemente ferido, no fundo de um barranco. Caiu sem sentidos, com as pernas dilaceradas e todo o corpo chagado da queda. Caiu, deitado de costas, de frente para o alto, sem poder mover-se. Ao voltar a si, viu, porém, que tinha sobre si um cadáver, que, pela pior das circunstâncias, estava deitado justamente sobre seu corpo, rosto a rosto, frente a frente.
Era a vinte metros ou mais abaixo do nível da estrada. O barranco constituía um extremo afunilado, do qual não havia meio de fugir. Não se podia afastar o defunto. Por força ele havia de descansar ali. Demais, o soldado Jacob, semimorto, não conservava senão o movimento dos braços e esse mesmo muito fraco. O corpo - uma chaga imensa - não lhe obedecia à vontade: jazia inerte.
Como deve ter sido medonha aquela irremissível situação!
Ao princípio, cobrando um pouco de esperança, ele procurou ver se o outro não estaria apenas desmaiado; e sacudiu-o vigorosamente - com o fraco vigor dos seus pobres braços tão feridos. Depois, cansado, não os podendo mais mover, tentou ainda novo esforço, mordendo o soldado caído em plena face. Sentiu, com uma repugnância de nojo sem nome, a carne fria e viscosa do morto - e ficou com a boca cheia de fios grossos da barba do defunto, que se haviam desprendido. Um pânico enorme gelou-lhe então o corpo, ao passo que uma náusea terrível revolvia-lhe o estômago..
Desde esse instante, foi um suplício que não se escreve - nem mesmo, seja qual for a capacidade da imaginação, - se chega a compreender bem! O morto parecia enlaçar-se a ele; parecia abafá-lo com o peso, esmagá-lo debaixo de si, com uma crueldade deliberada. Os olhos vítreos abriam-se sobre os seus olhos, arregalados em uma expressão sem nome. A boca assentava-se sobre a sua boca, num beijo fétido, asqueroso...
Para lutar, ele só tinha um recurso: estender os braços, suspendendo a alguma distância o defunto. Mas os membros cediam ao cansaço e vinham, aos poucos, descendo, descendo, até que de novo as duas caras se tocavam. E o horrível era a duração dessa descida, o tempo que os braços vinham vergando de manso, sem que ele, cada vez sentindo mais a aproximação, pudesse evitá-la! Os olhos do cadáver pareciam ter uma expressão de mofa. Na boca, via-se a língua empastada, entre coalhos negros de sangue, e a boca parecia ter um sorriso hediondo de ironia...
* * *
Quanto durou esta peleja? Poucas horas talvez, para quem as pudesse contar friamente, longe dali. Para ele, foram eternidades.
O cadáver teve, entretanto, tempo de começar a sua decomposição. Da boca, primeiro às gotas e depois em fio, começou a escorrer uma baba esquálida, um líquido infecto e sufocante que molhava a barba, a face e os olhos do soldado, deitado sempre, e cada vez mais forçosamente imóvel, não só pelas feridas, como também pelo terror, de instante em instante mais profundo.
Como o salvaram? Por acaso. A cova em que ele estava era sombria e profunda. Soldados que passavam, suspeitosos de que houvesse ao fundo algum rio, atiraram uma vasilha amarrada a uma corda. Ele sentiu o objeto, puxou-o repetidas vezes, dando sinal da sua presença, e foi salvo.
Nos primeiros dias, durante o tratamento das feridas, pôde contar o suplício horroroso por que passara. Depois, a lembrança persistente da cena encheu-lhe todo o cérebro. Vivia a afastar diante de si o cadáver recalcitrante, que procurava sempre abafá-lo de novo sob o seu peso asqueroso..
* * *
Anteontem, porém, ao entrar no hospital achei o soldado Jacob preso num leito, com a camisola de força, procurando em vão agitar-se, mas com os olhos mais acesos do que nunca - e mais que nunca com a fisionomia contorcida por um terror inonimado e louco.
Acabava de estrangular um velho guarda, apertando-o contra uma parede, com o seu gesto habitual de repulsa. Arrancaram-lhe a vítima das mãos assassinas, inteiramente inerte - morta sem que tivesse podido proferir uma só palavra.
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quinta-feira, 21 de junho de 2007
Descançar...ai se eu pudesse!
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sábado, 16 de junho de 2007
Olê, olê, olê, olá
Não chore ainda não, que eu tenho um violão
E nós vamos cantar
Felicidade aqui pode passar e ouvir
E se ela for de samba há de querer ficar
Seu padre toca o sino que é pra todo mundo saber
Que a noite é criança, que o samba é menino
Que a dor é tão velha que pode morrer
...
Meu pinho, toca forte que é pra todo mundo acordar
Não fale da vida, nem fale da morte
Tem dó da menina, não deixa chorar
...
Luar, espere um pouco, que é pra o meu samba poder chegar
Eu sei que o violão está fraco, está rouco
Mas a minha voz não cansou de chamar
Olê, olê, olê, olá
Tem samba de sobra, ninguém quer sambar
Não há mais quem cante, nem há mais lugar
O sol chegou antes do samba chegar
Quem passa nem liga, já vai trabalhar
E você, minha amiga, já pode chorar
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quarta-feira, 6 de junho de 2007
Racionalismo...
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segunda-feira, 4 de junho de 2007
Fácil...
Cerca de 100 milhões de pessoas estão sem teto,
e eu reclamo quando tenho frio.
1 bilhão de analfabetos,
e eu tenho preguiça de consultar a gramática.
1,1 bilhão de pessoas vivem na pobreza, destas, 630 milhões são extremamente pobres, com renda per capta anual bem menor que 275 dólares;
reclamei quando não sobrou muito no fim do mês
1,5 bilhão de pessoas sem água potável;
tomei um banho de uma hora hoje
1 bilhão de pessoas passando fome;
E eu ligo pra minha família dizendo que não me acostumei com outros temperos
150 milhões de crianças subnutridas com menos de 5 anos (uma para cada três no mundo);
preciso emagrecer para mostrar aquele osso que as modelos exibem.
12,9 milhões de crianças morrem a cada ano antes dos seus 5 anos de vida;
meu sobrinho de 3 anos já diz que vai ser piloto.
No Brasil, os 10% mais ricos detêm quase toda a renda nacional,
mas a culpa é da instabilidade política.
E eu reclamo quando tenho frio.
Eu tenho preguiça de consultar a gramática.
E eu reclamo que não sobra muito no fim do mês.
Tomei um banho de uma hora hoje.
E eu ligo pra minha família dizendo que não me acostumei com outros temperos.
Preciso emagrecer para mostrar aquele osso que as modelos exibem.
Meu sobrinho de 3 anos já diz que vai ser piloto.
Mas é tudo culpa da instabilidade política.
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sexta-feira, 1 de junho de 2007
Das antigas.
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quinta-feira, 31 de maio de 2007
ao DESCONHECIDO.

Ao longo dos montes têm neve ao sol
Mas é suave e o frio é calmo
Que alisa e agudece
Os dardos do sol alto.
Hoje, pericárpio, não nos escondamos,
Nada nos falta,
porque nada somos.
Não esperamos nada.
E temos frio ao sol.
Mas tal como é, gozemos o momento,
Solenes na alegria levemente,
E aguardando o amor. . .
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quarta-feira, 30 de maio de 2007
Uma noite fria.

Foi ocupada a cadeira ao lado. Olhei. Tinha certeza que viria, disse que veio por mim, acreditei tanto que uma felicidade súbita percorreu-me. Veio por minha causa! Convidei para um chá, não recusou meu convite, pensei que recusaria, mesmo sabendo que seria difícil receber uma recusa dessa grandeza. Não por ter partido da minha pessoa o convite, mas, chá em uma noite fria não é nada recusável. Saímos então do teatro. Confesso que estava bem mais quente quando ocupava eu a cadeira da sala escura, mas fui surpreendida com um abraço tão reconfortante que se quer desejei voltar. Sorriu. Devolvi o abraço e depois o sorriso. Porém foi a última vez, nessa noite, que repeti o gesto amigável. Enfim chegamos. Tomamos o chá, conversamos sobre páginas e páginas em comum, nos despedimos. Fiquei saudosa do abraço. De tudo ficou aquele sentimento nebuloso. E aquela saudade, uma imensa saudade...
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quinta-feira, 24 de maio de 2007
"E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco
se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas
lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,
a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.
Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável
pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar
toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos."
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terça-feira, 22 de maio de 2007
domingo, 20 de maio de 2007
Desce...
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sexta-feira, 18 de maio de 2007
A Carta
[...]Para que a carta lhe chegasse às seis horas, ela devia ter-se sentado a escrevê-la logo após a sua saída; tivera de lhe colar um selo e mandar alguém pô-la no correio. Era mesmo típico de Clarissa. A visita dele perturbara-a, fizera-a pensar em muita coisa. E, por momentos, quando lhe beijou a mão, tinha-o lamentado, invejado até; recordando, quem sabe (pareceu-lhe ler isso no seu olhar), algo que ele dissera em tempos: que se ela casasse com ele poderiam mudar o mundo; em vez disso, a realidade era isto, o envelhecimento, a mediocridade. Depois ela obrigara-se, com a sua indomável vitalidade, a pôr de lado todas essas coisas, pois existia em Clarissa uma corrente de vida cuja força, resistência e capacidade para superar obstáculos, conduzindo-a ao triunfo, ele nunca tinha visto em pessoa nenhuma. Sim; mas mal ele deixou a sala, ela reagiu de imediato. Tivera imensa pena dele; pensara em tudo o que poderia fazer para lhe agradar (excepto uma coisa), e ele imaginava-a de lágrimas nos olhos, correndo para a secretária a fim de enviar aquela frase, aquela saudação, ao seu encontro naquele quarto de hotel... "Adorei voltar a ver-te!" E era sincera.[...]in "Mrs. Dalloway" by Virginia Woolf
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