sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

PARADOXO

Foto Por A Brito

Parece que há muito tempo não sentia isso e já estava lhe fazendo falta.
...sua fisionomia era toda espiritual e o jogo delicado de suas expressões faciais denotava uma vida anímica interessante, bastante intensa, delicada e sensível.
O LOBO DA ESTEPE - HERMAN HESSE

...e depois convida a rir ou chorar.


Foto Por Rui Correia


Lançando pela boca aberta um grito que não podemos ouvir, pois nenhuma destas coisas é real, o que temos diante de nós é papel e tinha, mais nada. SARAMAGO

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Sempre falou mexendo os braços.

FOTO: Royalty free

Houve um tempo que necessitou de noites longas, livros esquisitos e garrafas de vinho sobre a mesa, habituou-se em secar garrafas. Dia desse Pedro da Quitanda disse para Dona Leocádia que a menina do 14 era alcoólatra, a conversa espalhou-se. Resolveu que não queria mais ver a cara do fofoqueiro, passou a comer poucos legumes só para não cruzar a rua e adentrar a quitanda, mudou o horário de estender as roupas só para não se dar o trabalho de cumprimentar a velha Leocádia, desenvolveu varias síndromes, resultado de algumas abstinências, primeiro do álcool depois de pessoas, estava agora com síndrome de pessoas mexeriqueiras, teve crises de soluços, febres e medos. Escondia-se. Fora surpreendida uma vez debaixo da mesa, outra vez enfiou-se debaixo das cobertas em um calor de derreter geleira. À medida que o tempo passava, sentia-se melhor, mais confiante talvez. Fato é que vivia sozinha. Era verão, conforme chovia os rios transbordavam. Ela se alagava em casa, antes sozinha do que mal acompanhada dizia seu avô. Tinha receio de sair e de convidar velhos amigos para visitá-la, vai que entrassem em sua casa só para apontar suas olheiras. Em compensação seus sapatos duravam anos.

luana

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

LUTO NA LITERATURA

Morre em Los Angeles o escritor americano Sidney Sheldon.
"
Tudo que é bom dura o tempo necessário para ser inesquecivel"

Se fosse em outros tempos não vingaria.

Foto Por Carlos Loff Fonseca

Antes quem olhasse nada afirmaria, ave da MARIA, PAI que é nosso, CRUZ de credo, ROMARIA.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Dos meus.

“Não tenho ambições nem desejos, Ser poeta não é uma ambição minha, É a minha maneira de estar sozinho” (p.4)

O guardador de Rebanhos – Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)

Não sou difícil de entender, só estou tornando-me difícil, atormentando-me. Nasci assim, desprovida de qualquer dificuldade, por isso, às vezes, invento-as. Em uma dessas invenções aprendi a sentir sua falta, aqui está meu novo problema, a falta que você me faz. No primeiro momento pensei que poderia camuflá-la, ao menos deixar de demonstrar tamanha necessidade, mas, certamente, enganei-me. Agora aqui estou, escrevo e penso em você, que fique bem claro: não estou escrevendo o que estou pensando e sim, escrevendo e pensando, caso escrevesse o que estou pensando o texto soaria safado. Para ser sincera, logo tenho que parar de escrever e dedicar-me somente ao pensar, prefiro, só assim posso te sentir.

Sobre a chuva que insiste em cair todos os dias coloco meus pensamentos mais felizes.

lg

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Amar é Ser Feliz

Foto Por Paulo Lopes

Quanto mais envelhecia, quanto mais insípidas me pareciam as pequenas satisfações que a vida me dava, tanto mais claramente compreendia onde eu deveria procurar a fonte das alegrias da vida. Aprendi que ser amado não é nada, enquanto amar é tudo (...).
O dinheiro não era nada, o poder não era nada. Vi tanta gente que tinha dinheiro e poder, e mesmo assim era infeliz.
A beleza não era nada. Vi homens e mulheres belos, infelizes, apesar de sua beleza.
Também a saúde não contava tanto assim. Cada um tem a saúde que sente.
Havia doentes cheios de vontade de viver e havia sadios que definhavam angustiados pelo medo de sofrer.
A felicidade é amor, só isto.
Feliz é quem sabe amar. Feliz é quem pode amar muito.
Mas amar e desejar não é a mesma coisa.
O amor é o desejo que atingiu a sabedoria.
O amor não quer possuir.
O amor quer somente amar.


" Hermann Hesse, Prêmio Nobel de Literatura, em: "Sull'amore, mondadori"

...das...



Foto Por Luís Manuel Graça

De todas as coisas que estou sentindo agora, tudo, mas tudo mesmo, se resume em um músculo, sístole e diástole, das pequenas grandes atividades que realizo, das noites, das risadas, dos sorrisos, átrio direito, sentidos, átrio esquerdo, amigos, ventrículo direito, vestidos, ventrículo esquerdo, gemidos... Coronárias.

lg

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

...ASCO


Foto Por
Mário Galvão Ferreira Galante

Porque você deita e se faz de morta. Não dá notícias. Apenas se faz de morta. Isso me mata um pouco, me mata aos poucos, acho que estou morrendo, morrendo de saudades sua.

lg



luana

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

partidas...


Foto Por: Júlio Miguel Sampaio

Sofri o grave frio dos medos, adoeci. Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo.


Guimarães Rosa

...e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro — o rio.

FOTO: Hilton Pozza


"A gente imaginava nele, quando se comia uma comida mais gostosa; assim como, no gasalhado da noite, no desamparo dessas noites de muita chuva, fria, forte, nosso pai só com a mão e uma cabaça para ir esvaziando a canoa da água do temporal".

GUIMARÃES ROSA

PRA VOCÊ...


foto:
Judith Tomaz

S
E
N
T
I
D
O
S

humanos...

Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...Ou toca, ou não toca". Clarice Lispector

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Gente Pequena


PAPO CHATO, PRA GENTE CHATA!

----> O caminho estava doloroso, o sol a pino castigava os retirantes.

PERSONAGENS: Político
Maria
José
Maria, vizinha.

Um dia antes das eleições...

José (olha pra trás): Vamo cambada de muié mole. Caminha que falta muito ainda.
Maria (ofegante): Espera que a gente ta indo, espera josé. (Chegam próximo a uma casa onde tem um homem bem vestido sentado em uma boa cadeira)
José: Oia Maria, oia o moço, pede pra ele recolhe a gente, pede! (Vão até o moço)
Maria: Moço eu sei que você ta engravatado, deve ser pessoa importante, deixa a gente ficar aqui essa tarde, eu, meu marido e minha cumadi, pra gente seguir rumo sem o sol...se sabe, a gente é cidadão e tem que vota, tamo viajando faiz tempo e nem sei como vamo volta...mais meu marido, o José, não quis justifica, ele quê vê a máquina apita, falaro pra ele que gente inteligente tem que aperta o verde pra confirma!
Político: De moço não tenho nada minha senhora, agora se você votar em mim, além de te hospedar, dou um corte de pano pra você se alinhar.
Maria: O corte eu aceito doutor, o voto a gente dá, mais que diabo é esse que você quê me hospedá?
Maria vizinha: Ó cumadi, larga de ser chucra perto do doutor, hospedá vem do pedido que ce feiz...ele disse VOU TE HOSPEDA, vou dar o que o cê pediu, hospedá...vo dá... cê é burra em Maria...doutor é assim, tem nome bonito pra tudo. Se quê que ele fala que nem nóis..nóis fala, vo te dá...ele fala hospedá. É coisa de doutor, coisa de doutor!
José: Viu Maria, se me invergonha, tinha que ter casado com essa ai, é mais feia, mais é esperta pra daná.

Papo chato pra gente chata...gente boa para ajudar os pobres...pobres espertos para escolher a cor do pano que tampa sua própria visão...Brasil inteligente...BURRA SOU EU!

LUANA GARCIA

...seguindo em frente...


Apenas seguirei com minhas lembranças e com o encanto que você depositou sobre meu olhar. Vou sozinha por um caminho que possui muitos espinhos nos arbustos que cercam a estrada e, como se não bastasse, ainda tenho que me atentar com as pedras que podem levar-me ao chão. Eu suspeitando que você gostasse de rosas e perfumes e olha para onde me manda, para um lugar onde meu coração não vai suportar por muito tempo.
Com ou sem você, eu seguirei em frente. Sorrindo um sorriso doloroso e não muito agradável.
Lembrei de assoviar aquela melodia que eu cantava quando ainda tinha vontade de cantar, logo parei, ela trazia lembranças do seu rosto.
Espero que você não tenha o azar de cruzar comigo pelo caminho, pois dessa vez, não me fará de adereço (como algo que sempre está a sua disposição, quando bem desejar).
Estou me erguendo mais uma vez, e se ao levantar você estiver no meu caminho serei obrigada a arrancar dos teus olhos o brilho que roubaste dos meus e morder sua boca para que em uma única vez você devolva toda saliva que deveria ser minha.
Com o brilho dos meus olhos de volta e a vontade da carne na boca eu seguirei rumo a minha felicidade, não quero ter a certeza de que você ficou lá atrás, porque sou capaz de te poupar essa dor terrível.
Eu ainda posso dividir o brilho dos meus olhos e mostrar um outro caminho, novo e desconhecido, mas, caso não queira conhecer, eu continuo meu percurso, sempre sorrindo. Assim, quando eu estiver treinado e testado meu sorriso alegre e verdadeiro, você reconhecerá logo de cara, que eu superei o novo, superei os espinhos e te superei...

luana